O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a padronização corporal no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, em que pessoas precisam se submeter à determinados padrões de beleza para suprir anseios de uma sociedade que valoriza certos estereótipos de beleza. Inicialmente, com o avanço das tecnologias da informação e das mídias sociais, impulsada pela Revolução Técnico-Científico-Informacional, no século XX, pode-se destacá-la como um impulsionadora do problema. Tal fato se reflete no desejo excessivo por um “corpo ideal” cada vez mais cultuado no mundo digital com o surgimento dos influenciadores, e que para alcançá-lo, se faz necessário abdicar ou enfrentar certos desafios que podem ser até prejudiciais à saúde, a exemplo da anorexia.
Além disso, segundo uma pesquisa realizada pela Edelman Inteligence, em 2016, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Nesse sentido, podemos ressaltar o bullying e a pressão social como motivador para um padrão corporal. Tendo em vista que muitas pessoas sofrem xingamentos por simplesmente estarem acima do peso – mesmo que estejam saudáveis. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que grande parte da sociedade brasileira ainda não cultua o sentimento de empatia, assim, pondo em evidência a falta de respeito pelo próximo. Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de uma sociedade melhor. Em vista disso, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde deve implementar nas escolas de nível fundamental, principalmente, palestras com profissionais especializados e educadores com o auxílio de materiais de apoio, promovendo um debate do que seria um corpo ideal e se vale a pena tê-lo em troca da saúde. Ademais, a mídia (TV, Rádio, Redes Sociais) deve intensificar as propagandas, em conjunto com os atuais influenciadores digitais a fim de quebrar o estigma de que há um corpo ideal a ser cultuado.