O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/09/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”, com essa frase, o filósofo Platão demonstra que a saúde precede a própria existência. Nesse sentido, o culto à padronização corporal deve ser visto como uma afronta a tal importante ensinamento filosófico, uma vez que implica prejuízos ao bem-estar dos afetados. Assim, no Brasil, a formação social e a mídia configuram-se como principais causas dessa indevida conjuntura, o que denota a necessidade de intervenção.

De início, é válido observar que, como o sociólogo Durkheim afirma, o desenvolvimento psicológico de um indivíduo está relacionado ao meio em que ele vive. A partir disso, é inegável que essa é uma potente forma de concretizar o problema em questão. Isso pode ser explicado pelos costumes sociais que apontam para estereótipos a serem seguidos pelas pessoas desde a infância, como no caso das meninas, que são educadas para obedecerem regras que as levem a ser consideradas “bonitas”. Consequentemente, desde a primeira década de vida, muitos formam um complexo mental que indica a essencialidade de estar sempre bem aos olhos da sociedade - fato que, muitas vezes, se relaciona ao aparecimento de doenças como a bulimia e a anorexia.

Além disso, ainda importa entender que a mídia impulsiona a padronização corporal. Segundo George Orwell, os meios de comunicação devem ser vistos como controladores de massas. Nessa perspectiva, entretenimentos como revistas, filmes e séries devem ser analisados, uma vez que propagam determinadas estruturas corporais como perfeitos. Assim, modelos - a exemplo dos conhecidos Cauãn Reymond e Gisele Bündchen - são moldados como exemplos pelas mídias, seja por meio da visão de que homens devem ser sarados e mulheres, magras. Dessa forma, inconvenientemente, inúmeros de indivíduos se alienam por essa realidade e, por não possuírem as características tidas como essenciais, passam a viver em um estado de mal-estar psicológico.

Diante desse problemático panorama, com o fito de que formação social deixe de agir fortemente na uniformização da beleza, é fundamental que as escolas eduquem os estudantes acerca do mito do corpo perfeito, o que pode ser feito por meio de recorrentes debates nas salas de aula, principalmente em aulas de sociologia. Ademais,também é importante que a Iniciativa Privada - por intermédio de Organizações Não Governamentais, por exemplo - mude os rumos das mídias, o que é passível de ocorrer por intermédio de empresários que financiem revistas e programas televisivos que contratem pessoas que não se encaixem no modelo estrutural tradicional desses meios. Feito isso, poder-se-á amenizar a problemática da padronização e oferecer mais utilidade aos conceitos platônicos.