O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/09/2018

No contexto atual dos brasileiros, a busca intensa por boa forma e padrões pré-estabelecidos está causando danos difíceis de serem revertidos entre as mulheres, visto que o índice de menores de 18 anos submetidas a cirurgias plásticas tem crescido, uma nova doença foi diagnosticada, chamada de vigorexia, ou seja, ter o corpo característico de praticantes de academia. Desse modo as midías digitais e televisivas causam influencia negativa, não só por impor um modelo utópico à ser seguido, mas também referente à dezenas de programas que tem por assunto demonstrar como é simples realizar um procedimento, fugindo da realidade.

Devido a grande visibilidade dos canais abertos de televisão, esses manipulam as pessoas com imagens de mulheres protagonistas sensuais, ao tomar banho de mar estão sempre de biquíni, entretanto, as atrizes coadjuvantes banham-se de maiô cobrindo grande parte do corpo, geralmente fora dos moldes da atualidade. Convém lembrar ainda que não é da modernidade estabelecer regras, haja visto modelos décadas atrás impostos como a atriz estadunidense Marilyn Mouroe, definida assim a figura ser copiada. Ademais, como o mercado consumidor vigente é capitalista, a busca incessante por dinheiro gera dilemas a serem combatidos por quem coloca a saúde em primeiro plano.

Pode-se observar a grande demanda de programas relacionados à estética perfeita, com artistas e médicos artistas, submetidos a reparos por diversas vezes aonde falam abertamente, servindo de exemplo para aquelas garotas que não estão contentes com o corpo até o momento. Além disso, o mercado é favorável para os cirurgiões e fornecedores, lucrando com suturas bem alinhadas que poderiam ser obtidas com exercício físico em muitos casos.  Esse tipo de protocolo raramente está incluído no plano médico, justificando o alto valor pago por quem quer modificar o corpo.

O culto à padronização corporal no Brasil, portanto, é de difícil reversão, entretanto, pode ser atenuado. Isto é, a criação de um órgão estatal em consonância com as diretorias televisivas e digitais, para analizar previamente o conteúdo a ser exibido, visando interpretar se existem outras possibilidades de propagação, haja visto que  os artistas não são parecidos na vida real como projetados, representam apenas o que a empresa quer vender. Cabe lembrar que, pessoas alienadas tendem a ter uma vida mais simples e sem excessos; rompendo com o tradicional, assim fizeram os artistas dadaístas no início do século XX, questionando o padrão de beleza estabelecido, assim admirando tudo e todos cada um com seu respectivos valores. Contudo, a beleza interior deve ser acentuada em detrimento de olhos azuis e cabelos loiros.