O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/09/2018
O período que se seguiu após o fim da Segunda Guerra Mundial foi palco de profundas mudanças em diversas esferas da sociedade. E, no Brasil, não foi diferente, em consequência do processo de desenvolvimento rápido e desordenado vivido, o país enfrenta problemas complexos dentro de sua comunidade relacionados à padronização da beleza. Diante dessa questão, urge a necessidade de se debater e de compreender as causas e o impacto de tal assunto na sociedade.
Em um primeiro momento, é importante constatar como a estrutura socioeconômica foi modificada ao longo da história do país. Após anos de recessão e alta inflação, o Plano Real transformou o cotidiano das famílias brasileiras ao possibilitar um aumento de seu poder aquisitivo. Atrelado a essa nova realidade, a adequação aos novos padrões estéticos e comportamentais, produzidos pela globalização, aflorou em todas as classes sociais. Nesse sentido, a padronização da beleza evidencia problemas profundos e arraigados que representam um desafio para a sociedade atual.
Outrossim, torna-se imprescindível analisar a situação da população em meio ao crescente impacto da modernidade na organização social. A fluidez dos vínculos humanos, característica do processo de globalização, atinge diretamente a forma como o homem interage com o meio e com seus semelhantes. Os conceitos volúveis e efêmeros, decorrentes do individualismo e da incessante busca pela aceitação pessoal dentro do padrão resultam em consequências graves, como transtornos alimentares e depressão. Assim, a falta de habilidade do ser humano em lidar com os paradigmas impostos, bem como a pressão midiática provocam uma obsessão relacionada ao corpo.
Nesse contexto, cabe uma reflexão acerca da influência da mídia na sociedade. Segundo Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Dessa forma, o culto à padronização corporal, enquanto permanece a ser reproduzido, torna-se enraizado e frequente. Desde a infância, a valorização de certos modelos estéticos é parte integrante da identidade do indivíduo. A vulnerabilidade social de tal parcela da população e o marketing, como forma de influência comportamental, são fatores determinantes na formação de uma sociedade fundamentada no apego demasiado ao corpo perfeito.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola promova a formação de cidadãos críticos e ativos quanto à tal questão social, por intermédio de palestras, debates e acompanhamento profissional para que reconheçam os indicativos do problema e atuem de maneira efetiva em suas comunidades. Além disso, é imprescindível que o Estado destine maiores investimentos, advindos da arrecadação pública, na criação de planos efetivos que regulem com maior rigor as campanhas midiáticas vinculadas a questão estética com o objetivo de oferecer maior segurança a sociedade.