O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/09/2018

Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, os fatos sociais consistem em maneiras de agir, pensar e de sentir que exercem uma coação exterior ao indivíduo, fazendo com que ele se adapte às regras da sociedade em que vivem. Utilizando esse conceito na realidade nacional, pode-se definir a busca pelos padrões de beleza idealizados como algo imposto socialmente pelos meios de comunicação que, infelizmente, causam severas consequências que atingem o âmbito físico e mental do indivíduo, debilitando sua saúde, além de fomentarem um culto à padronização corporal no país.

Mormente, é notório salientar que os meios de comunicação são os principais responsáveis pela ocorrência da veneração do corpo perfeito pela população brasileira. Esse fenômeno pode ser visto, principalmente, nas novelas e séries veiculadas pelas emissoras de televisão, em que o homem bem-sucedido e atraente possui um corpo extremamente musculoso e a mulher bela e carismática é aquela com o chamado “corpo de modelo”. Esses personagens fazem com que haja a ocorrência de comparações entre a imagem do indivíduo que assiste-os e a imagem idealizada transmitida por eles. Por conseguinte, os espectadores passam a considerar tais padrões de beleza necessários para serem aceitos socialmente, o que ocasiona a busca por meios que atinjam essa tipologia considerada perfeita.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que os arquétipos de beleza corporal levantados pela mídia não levam em consideração o biotipo de cada pessoa. Isso faz com que muitos indivíduos, nesta busca incessante pela “perfeição”, façam dietas exageradas e atividades físicas que ultrapassem os limites do organismo, gerando problemas graves de saúde. Nesse âmbito, as doenças mais em voga são a anorexia e a bulimia: ambos transtornos alimentares e psicológicos que afetam pessoas que buscam uma beleza intangível às mesmas. Há também a ocorrência de distúrbios psicológicos, como a ansiedade e a perda de autoestima, que ocorrem pela pessoa não atingir o “eu ideal” imposto à ela.

Destarte, visto que o problema abordado é um dos males da sociedade, faz-se necessário a utilização de algumas medidas para saná-lo. A primeira delas deve ser feita pelo Ministério da Cultura e consiste na criação de campanhas publicitárias em emissoras de televisão, rádios, sites, jornais e outdoors, que preguem a valorização da beleza de cada um da maneira que é, mostrando para a sociedade que o seu “eu ideal” é o seu próprio eu. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde realize palestras nas unidades de saúde dos bairros, alertando sobre os perigos da obsessão por um padrão corporal para a saúde mental e física e, também, auxiliando os que já estão acometidos por esses problemas. A união dessas atitudes fará com que se supere esse fato social, fazendo com que cada um busque o melhor para si mesmo e decretando o fim do culto à padronização corporal no Brasil.