O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/09/2018
Para toda época, há um arquétipo vigente. No tempo da Grécia Antiga, por exemplo, era comum homens que não fossem musculosos serem considerados desprovidos de inteligencia. Ou seja, os padrões são uma violência que fere qualquer um fora deles. No entanto, atualmente, é notória a imposição de mais e mais padrões, assim como aumento de doenças em decorrência da insatisfação de não se encaixar. Por isso, o problema apenas recrudesce e precisa ser resolvido.
Outrossim, visto que esses moldes vêm impostos em todos lugares, torna-se impossível ser imune a eles. Revistas, produtos de beleza, propagandas, novelas, todos afirmam, de forma indireta, por meio de ostentações e falsos sentimentos de felicidade, que só será possível alcançar a felicidade da forma pregada por eles. E assim como Madame Bovary da obra de Gustave Flaubert, as pessoas podem acabar tendo finais infelizes ao tentar alcançar critérios fora da própria realidade.
Ademais, tais imposições têm como alvo principalmente as mulheres e podem trazer consequências desastrosas à saúde delas. Um levantamento feito pela Secretaria da Saúde mostrou que, 77% das jovens de São Paulo, apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar como anorexia e bulimia. Isso, nada mais é, do que o fruto de padrões tão enraizados, que levam famílias, mesmo inconscientemente, a exigir de suas crianças, expectativas que nem eles mesmos conseguiram atingir, fator essencial para formação de mais e mais adultos frustados com seus corpos.
Dado o exposto, entende-se que tal problemática afeta a todos e precisa ser resolvida. A Mídia, já que foi a principal ditadora por tanto tempo, agora, deve ser parte da solução. Por isso, ela deve, por meio de filmes, documentários e campanhas nos principais meios de comunicação, mostrar histórias de vida reais onde os mais afetados tenham seu lugar de fala e relatem suas experiências a fim de cada vez menos pessoas serem influenciadas e torne-se padrão não existir padrão. Já o Governo, por meio do Ministério da Saúde, deve dar especial atenção aos distúrbios causados por essa imposição e forne-
cer psicólogos e nutricionistas para trabalhar em conjunto, objetivando a melhora física e mental do paciente, para que assim, cada um aceite-se do jeito que é, pois já dizia o filosofo John Stuart Mill, “Sobre seu corpo e mente, o indivíduo é soberano”.