O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/10/2018
O Parnasianismo, movimento literário do século XIX, pregava a valorização da arte padrão e desdenhava de qualquer forma de expressão que não se encaixava dentro do desejado. Análogo a isso, na contemporaneidade, há o culto ao corpo “perfeito” e aqueles que não adequam são desvalorizados e ignorados pela indústria da moda. Com efeito, não é razoável que as diferenças estéticas sejam menosprezadas e que um modelo ideal seja imposto como único a ser aceito socialmente.
Primeiramente, cabe ressaltar que assim como na arte, a sociedade é diversificada. No entanto, o padrão estereotipado pelas marcas é o corpo magro e alto, sem estrias ou celulites, não existe representatividade significativa de outras formas corporais. Exemplo disso, é que apenas depois de 23 anos de existência, a São Paulo “Fashion Week” (Semana de moda de São Paulo), apresentou dentro do seu grupo de modelos as plus size, que são modelos que vestem números acima do número 48. Nesse sentido, não é aceitável que as indústrias continuem reforçando a ideia de que 36 é o tamanho em que todas precisam estar.
Ademais, a imposição social leva diversas pessoas, principalmente as jovens, a uma possessividade relacionada ao corpo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 77% das jovens brasileiras têm propensão a desenvolver distúrbios alimentares, e a Organização Mundial de Saúde afirma que a cada 62 minutos, pelo menos uma pessoa morre como resultado direto desses distúrbios. Todavia, enquanto não houver medidas que visem o bem-estar e o tratamento dos adolescentes, o Brasil continuará a enfrentar a pior das consequências da imposição corporal, o óbito daqueles que desejam a todo custo se adequar ao corpo que é considerado bonito.
Tendo em vista o oposto, a cultura do culto ao corpo ideal é algo a ser combatido. A priori, o legislativo precisa criar leis que tenham o objetivo de aumentar a representatividade dentro da indústria da moda, obrigando as marcas a diversificar seus modelos e não apresentar somente a magreza como sinônimo de beleza. Além disso, é responsabilidade das escolas criar encontros com as famílias no intuito de incentivar o acompanhamento dos jovens em relação a auto estima, e oferecer ajuda profissional caso necessário. Para isso, é preciso que o governo destine verbas para a contratação de psicopedagogos que fiquem a disposição dos alunos. Só assim, a imposição corporal será amenizada e com o passar do tempo extinta no país.