O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/10/2018
A imposição social do corpo “perfeito” não é algo recente, perpetuou pela Roma Antiga a frase: “mente sã em corpo são”, a qual estabelecia que uma mente saudável deve habitar um corpo saudável. Todavia, os requisitos para estar dentro do padrão não são estáticos, eles se alteram consoante as mudanças da sociedade. Desse modo, grande parcela da comunidade martiriza-se por estar fora do que é considerado “bonito”, estado que pode desencadear doenças mentais e distúrbios alimentares. Primeiramente, conforme pesquisas, o Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias plásticas com finalidade estética no mundo, perde apenas para os Estados Unidos. A busca por uma “perfeição inatingível” leva as pessoas a se submeterem a procedimentos cirúrgicos, muitas vezes arriscando a própria vida para se encaixar em um molde. Entretanto, as imperfeições vistas por esses indivíduos, geralmente, não cessam, o que pode desencadear o Transtorno Dismórfico Corporal – doença mental – que se desenvolve um foco obsessivo em um defeito que a pessoa considera ter na própria aparência. O poeta Vinicius de Moraes, em um de seus poemas enfatiza: “as feias que me perdoem mas beleza é fundamental”, contudo, o que pode ser belo pra alguns não é necessariamente para todos. A imposição de um padrão estético social – principalmente para mulheres – é um prisão, em que as grades são as próprias cobranças. Assim, como os métodos cirúrgicos requerem um alto valor, as pessoas se sujeitam a dietas exorbitantes que estimulam os distúrbios alimentares como: anorexia e bulimia.
Infere-se, portanto, a necessidade do Ministério da Educação se aliar ao Ministério da Saúde e promover nas escolas a “semana da aceitação”, em que profissionais da área da saúde possam apresentar os riscos de uma má alimentação, de procedimentos cirúrgicos estéticos e os educadores possam ressaltar que todos são lindos a sua maneira, com o objetivo de expor que ser diferente do outro que te torna único. Ademais, a mídia juntamente com o Ministério das Comunicações devem criar um programa de desconstrução do conceito de “belo” por meio das redes sociais, com profissionais da área, a fim de que amplie a divulgação sobre a variedade do admirável. Assim, contribuir para o fim da busca pelo “padrão”, criado pela ditadura da beleza.