O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/10/2018

Na Antiguidade Clássica, possuir um corpo bonito representava uma dádiva dos deuses e era símbolo de inteligência e força. Contudo, no Brasil atual ainda observa-se uma forte ligação com o pensamento de tempos remotos, associando-se os padrões de beleza à ideia de aceitação social e felicidade, fato este que tem culminado na busca pelo corpo perfeito e, consequentemente, elevando o número de distúrbios alimentares e psíquicos em uma sociedade fortemente marcada pela coerção social.

É importante pontuar, de início, que apesar de os esteriótipos de beleza serem um fato historicamente presente no cotidiano da população brasileira, a disseminação das redes sociais e dos veículos midiáticos levou ao fortalecimento da ideia de que a adequação aos padrões estéticos estão relacionados à integração social, visto que o compartilhamento de fotos e arquivos que perpetuam os padrões de beleza estão diretamente ligados à sensação de felicidade e aceitação. Em consequência disso, o Brasil lidera o ranking em cirurgias plásticas entre os jovens, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), sendo um dado crescente a cada ano, frente ao grande poder de influência da mídia.

Em decorrência disso, observa-se no país um fenômeno denominado pelo sociólogo Émilie Durkheim de coerção social, sendo este, um produto de qualquer padronização em uma sociedade. Como resultado disso, a população brasileira que não se vê adequada aos padrões impostos pela mídia busca medidas radicais a fim de enquadrar-se nos esteriótipos de beleza, levando ao desenvolvimento de problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, que culminam no surgimento de distúrbios alimentares que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, atingem cerca de 5% das jovens entre 10 e 24 anos no país. Desse modo, a busca pelo corpo perfeito tem gerado uma sociedade debilitada física e emocionalmente.

Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de romper com os esteriótipos de beleza presentes no Brasil. Para isso, o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde, deve trabalhar na criação de programas de assistência a distúrbios alimentares, oferecendo atendimento médico e psicológico  em escolas, universidades e postos de saúde, voltado ao tratamento de tais doenças. Além disso, as escolas, como provedoras de educação e formação de cidadãos conscientes,  podem trabalhar o tema com palestras acerca da aceitação pessoal e dos perigos da influência midiática, a fim de reduzir o número de problemas desenvolvidos pela aspiração radical do corpo perfeito. Afinal, como afirmou Platão, o importante não é viver, mas viver bem.