O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/10/2018

De acordo com princípios genéticos, a variabilidade de características é um fator indispensável para a evolução e manutenção de uma espécie. Partindo disso, a diversidade das características físicas é algo biologicamente e socialmente necessário. Entretando, a imposição de padrões estéticos tem sido pauta difundida na sociedade ao longo da história e divulgada pela mídia na contemporaneidade, se configurando de forma prejudicial, uma vez que estimula distúrbios psicológicos e alimentares.

Em primeira análise, cabe ressaltar que as realções de imposição e dominação cultural são históricas. Na Grécia Antiga, a valorização de corpos físicos hábeis à guerra fez com que muitas pessoas que não se adaptavam a essa realidade fossem excluídas e até mortas. Tal busca por homogeneizar uma população se configura como violência simbólica, para Pierre Bourdieu, gerando desconforto, frustrações e inseguranças entre os que não atingem o esperado, e contribuindo para segregações e desigualdades.

Outrossim, tal problemática é acentuada com os avanços tecnológicos e midiáticos. A “modernidade líquida” descrita por Bauman aponta a superficialidade e efemeridade presente hordienamente como fruto da mídia e da globalização. Como consequência, tem-se a fixação exagerada pela autoimagem perfeita e o surgimento de transtornos psicológicos decorrentes da dificuldade de atingir o padrão difundido nos meios de comunicação. Nesse cenário, transtornos alimentares como anorexia e bulimia, além de depressão e ansiedade, se tornam cada vez mais frequentes.

Dessarte, é imprescindível atuação governamental na mídia e na sociedade. O Estado deve estimular a propagação de mensagens de autoaceitação que prezem pela diversidade, criando campanhas, anúncios publicitários e projetos para serem veiculados na TV, nas redes sociais e outros meios de comunicação em massa, abordando também os riscos da busca por padrões ideias de beleza. Com isso, a sociedade de conscientizaria sobre a importância de valorizar as diferenças e aideia de homogeneidade historicamente instituida seria desconstruída, corroborando para a manutenção exitosa de uma população diversa em aspectos biológicos e sociais.