O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 11/10/2018

O culto à padronização corporal existe desde a Antiguidade Clássica. Tal busca pelo corpo perfeito, tem como propulsor os atletas das olimpíadas gregas, os quais tiveram seus corpos esculpidos, pintados e por fim idealizados por todos, e como sinônimo de não apenas saúde, mas também poder. Tendo isso em vista, a atual sociedade brasileira ainda perpetua tal ideologia, o que acarreta em inúmeros problemas para os indivíduos que não conseguem alcançar a “perfeição” corporal, como doenças alimentares e o consumismo exacerbado em prol da beleza. Nesse sentido, convém analisarem-se as principais consequências devastadoras que tal culto pode trazer à população do país.

Em primeiro plano, a Teoria do Habittus de Bourdieu diz que quando uma ideia é imposta a um grupo de pessoas, elas a assimilam, a normatizam e por fim as reproduzem ao longo do tempo. Sendo assim, a padronização corporal foi imposta no campo social na Grécia Antiga e se mantem até hoje. Tal idealização da beleza, faz com que muitas pessoas se submetam a situações de risco para alcança-la. Um grande exemplo disso foi retratado no filme “O mínimo para se viver”, o qual mostra os desafios da luta de um grupo de adolescentes contra a anorexia, um transtorno alimentar causado devido a obsessão pelo corpo padrão  (magro), no qual a pessoa não consegue se alimentar de forma correta, pois se vê acima do peso mesmo estando muito magra e correndo risco de vida.

Além disso, a  Teoria Crítica de Adorno propõe que o capitalismo implanta a necessidade do consumo de bens, como algo que trará felicidade, porém Adorno diz que, na verdade, objetos trazem apenas uma falsa felicidade, ou uma alegria passageira. De forma análoga, a indústria cosmética produz alguns produtos que visam a aparência ideal através de pseudo-felicidades, como cremes milagrosos e dietas infalíveis, as quais em longo prazo perdem o efeito esperado. No entanto, o incentivo desse setor à padronização corporal é nocivo para a sociedade, principalmente para o sexo feminino. De acordo com uma pesquisa feita pela Dove, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir o padrão de beleza.

Faz-se, portanto, necessária adoção de medidas que solucionem esse impasse. O Ministério da Educação deve realizar parcerias com universidades, as quais contenham cursos de psicologia e nutrição, a fim de contratar estagiários, alunos desses cursos, para que administrem um projeto mensal em escolas públicas denominado “Juntos pela diversidade”, no qual os estagiários ministrarão palestras informativas sobre os principais transtornos alimentares e irão formular dietas adequadas aos alunos, para que por meio da informação, os jovens combatam as consequências da padronização cultural no Brasil. Ademais, grandes mídias devem circular comerciais, em horários nobres, sobre o combate ao culto da beleza ideal, para que todos os indivíduos possam se sentir bem do jeito que são.