O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/10/2018
A obra “O Nascimento da Vênus”, de Sandro Botticelli, traz a representação renascentista da mulher inspirada na arte clássica. Na pintura, a Vênus é símbolo de graça e perfeição. Entretanto, seus traços são anatomicamente improváveis no mundo real. Analogamente, na contrmporâneidade, a aparência física têm assumido primazia nas relações sociais, como consequência da exaltação de um modelo corporal muitas vezes inatingível.
Segundo a teoria do Habitus de Pierre Bourdieu, as pessoas tendem a incorporar aquilo que foi imposto à sua realidade. Nesse sentido, desde a infância, as crianças são introduzidas a um ideal estético que atinge especialmente as meninas. Quando apresentadas à personagens como a “Barbie”, com medidas inalcançáveis, associam a boneca ao conceito de beleza e sentem-se pressionadas a se enquadrarem nesse molde. A busca por esse modelo perfeito pode chegar a colocar em risco a saúde e o desenvolvimento de muitas adolescentes, que desenvolvem problemas relacionados à dietas extremas, anorexia, bulimia ou depressão.
Além disso, a indústria da beleza aproveita-se dessa situação e transforma o padrão corporal idealizado em mercadoria. Desde a venda de cosméticos até cirurgias plásticas, o chamado “mercado da vaidade” gera quantias extremamente significativas de dinheiro e as pessoas tornam-se escravas do capitalismo que, de acordo com os sociólogos Adorno e Horkheimer, implanta a necessidade de consumo. Contudo, esses procedimentos e produtos na grande parte das vezes não são seguros nem acessíveis à maioria, que sofre com a não aceitação do próprio corpo.
Portanto, o culto a aparência idealizada coloca a saúde individual em segundo plano e está diretamente relacionado à baixa autoestima principalmente entre os mais jovens. Para reverter essa situação, é essencial que a mídia, com seu papel fundamental como formadora de opinião, invista em mais novelas e propagandas com atores e atrizes considerados “fora do padrão”, a fim incentivar os indivíduos a respeitar o seu próprio biótipo. Ademais, cabe as escolas ensinarem aos alunos sobre diferentes ideais estéticos ao longo dos séculos e ao redor do mundo, para que se compreenda que não existe um conceito único e imutável. Assim a ditadura da perfeição seria combatida e cada um aprenderia a dar maior valor à sua unicidade.