O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/10/2018
É notório que a boneca da Barbie fez parte da infância de praticamente toda a geração Y do território brasileiro, em especial o público feminino cujo desejo e admiração está pautado no porte físico do brinquedo. Entretanto, essa imposição de beleza atrelado à felicidade tem consequências na vida adulta. Nesse sentido, a busca pela padronização corporal está associada ao processo de educação infantil e a imposição midiática na sociedade brasileira. Nesse âmbito, analisa-se que essa problemática é sustentada, sobretudo, pela insuficiência nas políticas públicas e na negligência social em negar o assunto.
Em primeiro plano, um dos pilares pela busca do corpo ideal está diretamente relacionado a maneira como a família educa as crianças, principalmente o público feminino. Isso acontece porque muitos país tratam as filhas com o estigma de princesa, ser frágil e dócil. Tal tratamento, estimula as meninas a crescerem em busca desse padrão. Essa problemática se manifesta de acordo com o pensamento do filosofo John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o qual afirma que o processo de agir das pessoas deriva das experiências vividas por elas durante seus processos de formação, as quais tendem a adotá-las ao longo de suas vidas. Com efeito, para conseguir esse padrão elas recorrem a inibidores de apetite, Pratica excessiva de atividades físicas, uso de suplementos e anabolizantes.
Outrossim, as propagandas do mercado fitness é outro fator que contribui para o culto à padronização corporal. Essa imposição tem como objetivo a venda de suplementos alimentares com promessas de emagrecimento ou ganho de peso, o que para tornar ainda mais chamativo, as empresas colocam no rótulo a imagem de uma modelo com corpo perfeito, fato que na maioria das vezes é impossível os clientes alcançarem, seja por fatores genéticos, ou porque a foto é manipulada. Segundo pesquisa da revista Abril, mais de 60% das mulheres brasileiras acreditam que certo tipo de aparência importa para ser bem sucedida. Logo, uma vez que esse objetivo não é alcançado o indivíduo pode desencadear transtornos emocionais, o que pode desencadear depressão e até suicídio.
Depreende-se, portanto, que o culto ao padrão de beleza tornou-se um desafio a ser combatido pelo Governo e pela sociedade. Para isso, o Ministério da Educação deve formar parcerias com a mídia televisiva e transmitir entrevistas com educadores infantis, a fim de orientar os pais a não comprarem brinquedos que retratam o “corpo perfeito”. Ademais, o Ministério Público deve formar parceria com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e exigir que a venda de anabolizantes sejam com receita médica, com o objetivo de evitar transtornos alimentares e propagandas enganosas. Assim, certamente a geração futura submeterá à infância apenas para relembrar boas histórias.