O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/10/2018

A música “A beleza dói”, (“Pretty Hurts”), da famosa cantora americana Beyoncé, descreve o sofrimento enfrentado pelas pessoas na busca por padrões inalcançáveis. Pode-se afirmar que tal cenário é visto não só nos Estados Unidos da América, como também no Brasil. Logo, notam-se desafios no atual contexto do culto à padronização corporal, situação essa atrelada a práticas culturais, intensificada com a Internet, e que tem como consequência inúmeros transtornos alimentares.

Como já foi teorizado por Émile Durkheim, fato social é a maneira coletiva de pensar e agir, exteriores ao indivíduo, dotada de generalidade e coercitividade. Partindo desse pressuposto, observa-se que a padronização da aparência encaixa-se na teoria do sociólogo, haja vista a manutenção desse comportamento que é transmitido ao longo de gerações, por meio da convivência em grupo. Salienta-se também que essa prática intensificou-se com a pós-modernidade — atores de novelas, “digitais influencers”, cantores famosos passaram a ser acompanhados diariamente pelas redes sociais e transformaram-se em modelos corporais a serem seguidos. Nesse sentido, é notória a necessidade de romper com esse pensamento coletivo a fim de evitar problemas futuros.

Por consequência dessa padronização da beleza, constata-se um aumento do aparecimento de distúrbios alimentares. Sabe-se que cerca de 10 milhões de brasileiros, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora, apresentam transtornos alimentares. Dentre os inúmeros casos, os mais comuns são a anorexia, em que há uma perda intensa de peso e dieta restritiva, e a bulimia, na qual há grande ingestão de alimentos e uso de artifícios, como vômitos autoinduzidos e laxantes, para não engordar. Portanto, convém tratar essas disfunções mediante especialistas para coibir tal problemática.

Destarte, é essencial o direcionamento de atenção a esse culto à aparência, no intuito de evitar o agravamento desse cenário. É de fundamental importância que as mídias televisivas, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolvam programas a respeito das diversidades de beleza e da autoaceitação, com a intenção de mostrar para todos os brasileiros a grande heterogeneidade estética existente. Aliado a isso, o Sistema Único de Saúde (SUS), juntamente com o Ministério da Saúde, deve implantar áreas com psicólogos especializados em tratar pessoas com distúrbios alimentares, com o propósito de recuperar quem já apresenta o problema. Assim, o Brasil poderá superar tais impasses.