O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/11/2018

“O importante não é viver, mas viver bem” segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para os indivíduos jovens que são os mais afetados pelo culto à padronização corporal. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, a mídia e a própria sociedade acabam contribuindo com a situação atual.

Em primeiro lugar, no âmbito brasileiro, essa é uma questão muito delicada. Baseando-se na teoria de Modernidade Líquida de Bauman, a qual considera a efemeridade das relações e a liquides das ações do ser social moderno, é perceptível uma grande instabilidade vivida por tais indivíduos, os quais estão, erroneamente, sujeitos a alimentarem os padrões estabelecidos pelos meios de comunicação de massa. Além disso, esses padrões de beleza são, sem dúvidas, um modelo machista, racista e caracterizam, também, um recorte de classes. O que distancia ainda mais a realidade descrita por Platão da vivenciada por tais jovens.

Por conseguinte, cria-se, assim, a falsa ideia de que o sexo feminino para possuir valor precisa ser ‘bonita" de acordo como o preceito estereotipado pelo ambiente social. Nessa perspectiva, no filme “Precious” há uma cena em que uma mulher negra vê-se no espelho como uma mulher inserida nesse modelo padronizado -branca e loira. Ademais, mulatas e negras são estigmadas por um padrão no qual elas nunca irão estar imersas, dessa forma, contribuindo exacerbadamente para elevadas taxas de inseguranças e baixa autoestima.

Torna-se e vidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem essas duas realidades. Dessa maneira, para que a população não se iluda com estereótipos, uma solução a curto prazo seria a reformulação das propagandas, as quais devem atuar de maneira mais abrangente, tendo em vista que a nação é marcada pela miscigenação, para que, assim, todos os biotipos sejam adequadamente inclusos. Paralelamente a essa ação imediatista, a escola, como formadora de opinião, deve incentivar os professores a promoverem debates em sala, com o objetivo de desnaturalizar padrões de beleza engessados no meio social, dessa forma, o colégio também atuará incitando o senso crítico e, consequentemente, contribuindo para o desenvolvimento pessoal. Só assim, os indivíduos jovens não apenas viverão, mas viverão bem.