O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/10/2018

No célebre filme “Cisne negro”, a personagem estrelada por Natalie Portaman possui transtornos alimentares, bulimia e anorexia, por consequência da busca incessante pelo “corpo perfeito”. Nesse contexto, não há dúvidas de que a obsessão pelo padrão de beleza inatingível causa sérios danos na saúde e no psicológico da população masculina e principalmente feminina, o qual ocorre, infelizmente, não só pela forte influência midiática, mas também das indústrias de beleza.

Convém ressaltar, a princípio, que a mídia tem um papel fundamental na imposição dos padrões de beleza atuais, uma vez que, devido a aparição constante de apenas mulheres magras, com o corpo definido, cabelos lisos e traços finos em novelas, capas de revista e propagandas publicitárias, há uma grande influência na concepção da sociedade contemporânea do que é considerado belo. Outrossim, os meios de comunicação também diariamente apresentam o glamour e sucesso que pessoas magras e com a boa aparência conseguem adquirir. Em consequência disso, vê-se a todo instante pessoas sujeitando-se à dietas radicais e cirurgias plásticas, na intenção de alcançar os modelos impostos socialmente. Como é o caso do Brasil que, segundo dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, no ano de 2013, o país foi o primeiro colocado em realização de cirurgias plásticas no mundo.

Além disso, desde o final de 1911, com a extinção da antiga União Soviética, o capitalismo predomina como sistema econômico. Nessa conjuntura, as indústrias de beleza vem crescendo cada vez mais, com novos produtos para emagrecimento, pílulas, sucos, comidas light e cosméticos. Essas empresas de consumo ganham e aumentam sua clientela promovendo inconscientemente a insatisfação pessoal. Isso porque pessoas insatisfeitas com seu corpo e aparência,

Portanto, diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) regular propagandas que incitem a adoção de padrões de beleza com maior rigidez, com o objetivo de diminuir a influência e imposição negativa desses esteriótipos para saúde física e mental da população. Ademais, faz-se necessário também que o Ministério da Educação promova a discussão desse tema nas Escolas por intermédio de palestras, para que, dessa forma, os alunos aprendam o risco da busca incessante pelo “corpo ideal”.