O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/10/2018
A música Pretty Hurts - a beleza machuca, em tradução literal - da cantora americana Beyoncé, tematiza as mazelas da construção da aparência ideal. Com efeito, tal cenário encontra-se concretizado, também, nos meios midiáticos do mundo globalizado. Diante disso, seja pela dominação da aristocracia capitalista, seja pelas imposições do mercado estético, a sociedade está cada vez mais submetida a frágeis coesões da padronização física.
Em primeira análise, é mister a compreensão de que os padrões corporais são disseminados pelas classes dominantes, de modo a concordar com estudos de Karl Marx. Em síntese, isso ocorre devido a fácil acessibilidade a procedimentos estéticos por parte da elite, a qual passou a usufruir de tais após a Segunda Guerra Mundial com alavancagem da medicina. Em contrapartida, nota-se que os cidadãos com pouca estabilidade econômica ficam à margem desse mapa, o que tende a desencadear sentimentos de despertencimento à sociedade pelo distanciamento de uma beleza idealizada.
Ademais, não há como negar que a indústria cultural beneficia-se com o narcisismo capitalista. Dessa forma, percebe-se que a ânsia por visibilidade social contribui para a manipulação realizada pelo mercado, haja vista que os meios comunicativos, com destaque às redes sociais, constituem espaços de venda de imagens e artigos estéticos. Nesse sentido, é notório que o corpo social está disposto a submeter-se a procedimentos arriscados, como cirurgias plásticas, para enquadrar-se no rebanho padronizado.
Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que alterem o repertório da música Pretty Hurts e que contornem os empecilhos causados pelo culto exacerbado ao corpo. Para tal objetivo, cabe à mídia, em parceria com ONGs, criar propagandas, a serem exibidas em horário nobre, as quais demonstram, por meio de diferentes estruturas corporais, que a pluralidade deve sobrepor-se aos modelos, a fim de incluir todos os indivíduos sentimental e socialmente em um mundo sem padronizações. Em consonância, o Ministério da Cultura deve desenvolver palestras, para serem ministradas em escolas, as quais estimulem as crianças a criarem senso crítico firme, para que não sejam controladas pela indústria da estética.