O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2018
Na mitologia grega, Narciso foi um deus que se apaixonou pela sua própria imagem e acabou morrendo ao tentar agarra-lá quando viu seu reflexo em um rio. Tendo isso em vista, a realidade brasileira se coincide com o fato do culto à imagem, sendo essa determinada e disseminada pela mídia. Nesse contexto, isso ocorre não só pela influência exacerbada da mídia, quanto pela escassez de debate do tema.
Sob tal enfoque, é evidente que o bombardeamento de imagens de corpos magros e sem marcas alguma interfere diretamente a vida do cidadão brasileiro, uma vez que a mídia impõe uma ditadura corporal. Nesse sentido, segundo a pesquisa “Há uma beleza nada convencional” comissionada pela Dove e realizada pela Edelman Intelligence: 63% das mulheres acreditam que ter um determinado estereótipo importa para ser bem sucedida e 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Dessa forma, a pressão midiática já induziu a pressão social e individual para que se atinja determinado estereótipo.
Ademais, é notório que a falta de debates em escolas, espaços públicos, incita com que um maior número de pessoas se sinta pressionado a alcançar os padrões impostos. Nesse viés, Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a linguagem corporal é marcadora pela distinção social, que coloca o consumo alimentar, cultural e forma de apresentação – como o vestuário, higiene, cuidados com a beleza etc. – como os mais importantes modos de se distinguir dos demais indivíduos. Sendo assim, fica claro que é fundamental o debate acerca do tema para que esses padrões sejam rompidos e junto suas consequências negativas.
Destarte, torna-se indiscutível que medidas são necessárias para a amenização da problemática. Para esse fim, o Ministério da Educação deve promover palestras e debates que elucidem a valorização de todos os corpos, priorizando a saúde física e mental dos indivíduos. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis que proponham a redução de disseminação de propagandas extremistas referentes ao padrão corporal.