O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/10/2018
Na Alemanha nazista foi desenvolvida a cirurgia plástica para corrigir os estragos físicos feitos pela guerra. Entretanto, hoje, ela avançou para o campo estético, com a função de corrigir imperfeições frente aos padrões de beleza. Visto isso, entender e tratar os efeitos desses padrões e o narcisismo descomedido é essencial para a homeostase da sociedade.
Nesse âmbito, as cirurgias e os transtornos reafirmam a busca para se atingir o padrão estético. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o Brasil é o segundo país que mais efetua cirurgias plásticas, dada a busca pelo padrão de beleza. Porém, a maioria não tem acesso a essa opção de modificação física, o que acarreta doenças como anorexia, bulimia e até vigorexia.
Outrossim, a busca por aceitação social através da aparência é outro obstáculo para uma sociedade saudável. Em “mulher ao espelho”, Clarice Lispector denuncia a futilidade daqueles que se dedicam apenas ao seu exterior, pela necessidade de estar belo acima de tudo, até abandonar a própria consciência. Portanto, essa ideia adoece as pessoas perante o padrão imposto e descarta as outras formas de aceitação.
Dessa forma, os impactos e resultados dos padrões estéticos devem ser ponderados. Logo, é papel da mídia introduzir pessoas de vários biotipos e divulgar, através de médicos e sociólogos, que não há um padrão acessível a todos os corpos. Já a escola deve produzir palestras anualmente, por meio dos alunos, sobre os atributos além da beleza presentes em cada um, para pôr fim à ditadura da aparência.