O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/10/2018

Um personagem grego chamado Narciso era tão belo que um dia acabou se tornando refém da sua própria característica e acabou morrendo afogado ao olhar o seu reflexo em um lago, se apaixonar e adentrá-lo. Analogamente, as pessoas têm buscado por padrões de beleza utópicos, o que, muitas vezes, tem se tornado um risco devido à imprudência em relação aos meios utilizados. Sob essa ótica, pode-se analisar o papel da mídia, da coerção social e seus possíveis efeitos.

A mídia, atualmente, tem usado do seu poder para impor os padrões sociais que devem ser seguidos pelos indivíduos. Padrões esses muitas vezes inatingíveis e que geram consequências graves – como no caso das “top models” que, grande parte das vezes, sofrem com doenças ligadas à alimentação, buscando, dessa forma, manter seus corpos “perfeitos” para p trabalho de divulgação. Entretanto, nota-se que os padrões de beleza se alteram com o tempo, na idade média bonito era ser uma garota gordinha, alguns anos atrás beleza era tida por um corpo magro e hoje um corpo atlético. Contudo, esses padrões têm influenciado a sociedade de maneira negativa, a exemplo da Barbie humana em busca da perfeição corporal.

O problema, porém, não se resume a isso, pois segundo o sociólogo Durkheim, o ser humano sofre com a coerção social. Esta é imposta aos indivíduos por meio da propaganda e das redes sociais – tal como o Instagram que só mostra as melhores imagens dos indivíduos. Tudo isso associado ao bullying, a discriminação social e a não aceitação das pessoas que não atingem esses moldes têm gerado um aumento no número de cirurgias plásticas e da procura por academias. Não pela saúde, mas pela beleza, porque na sociedade vigente o que vale é se encaixar nos moldes e ser aceito, mesmo que o maior risco seja a morte.

Torna-se evidente, portanto, a problemática relacionada aos padrões inalcançáveis de beleza impostos à sociedade. Primeiramente, o Poder Legislativo deve criar uma lei como a existente na França – que obriga as empresas colocarem nas embalagens ou revistas informações que mostrem que a imagem foi editada e manipulada –, a qual necessita ser fiscalizada pelo Executivo. A fim de evitar ao máximo a influência negativa desses meios na sociedade. Ademais, o Ministério da Saúde precisa promover campanhas – de cunho social – que mostrem os problemas e as mortes geradas por essa busca desenfreada em relação a beleza. Usando da mídia para divulgar as campanhas em território nacional, com a finalidade de mostrar as pessoas que a saúde deve ser priorizada em detrimento da beleza, somente.