O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/10/2018
No período renascentista, o corpo tornou-se principal objeto de execução nas artes plásticas, a fim de representar não somente a feminilidade e a masculinidade, como também a naturalidade do conceito de beleza na sociedade antiga. A partir disso, muito se tem discutido acerca do culto à padronização corporal no Brasil, o qual intensifica-se cada vez mais e, quanto tomado como valor moral, pode apresentar consequências desastrosas.
Em uma primeira análise, cade observar que Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, define como “corpo dócil” todo corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado e aperfeiçoado de acordo com o sistema. Nesse sentido, nota-se que com o advento do capitalismo, o constante incentivo ao consumo exacerbado relacionado a busca pela aparência perfeita mostra-se um fator eficaz na “docilização” da sociedade, estando esta, portanto, sujeita a ser controlada - ainda que de maneira imperceptível.
Sob tal perspectiva, é nítido o poder que a Mídia, em conjunto a indústria farmacêutica, possui na formação de valores ligados a estética no Brasil. Com isso, tendo em vista que na televisão, principal meio de comunicação em massa, o ideal de uma vida saudável é sempre representado por pessoas magras - fato que impulsiona a venda em grande escala de diversos remédios “milagrosos” de emagrecimento -, os agentes citados podem contribuir diretamente na formação de pensamentos que levem o brasileiro a tomar atitudes extremas que possam acarretar em posteriores problemas de saúde, como é o caso da anorexia, atualmente comum entre os mais jovens.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Legislativo crie uma lei que defina que qualquer produto farmacêutico manipulado a favor do emagrecimento contenha em seu rótulo todas as substâncias - junto aos benefícios e malefícios promovidos por estas - presentes neste, alertando, assim, a população sobre seus riscos. Além disso, é imprescindível que a Mídia freie a construção de padrões intensos de beleza através do incentivo a inclusão de pessoas com diversos tipos corporais em suas telenovelas, cabendo a ela também reduzir o número de propagandas que aborde o emagrecimento como forma de aceitação social, promovendo, desta maneira, uma maior naturalidade na vida da sociedade assim como era retratada no Renascimento.