O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Sob a perspectiva de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Nesse contexto, percebe-se que, no Brasil, a questão dos padrões de beleza idealizados trazem consequências negativas para a população, já que marginaliza grupos sociais e promove sua exclusão no corpo social. Diante desse panorama, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro, como a imposição coletiva e o individualismo.
Inicialmente, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, como ser alto e ter um corpo atlético, sofre uma periferizacão social. Nessa lógica, é notável que, consoante ao pensamento de Lévi-Strauss, grupos que não possuem o padrão de beleza idealizado não são valorizados de forma plena, e tornam-se vítimas de preconceito, o que caracteriza um irrespeito descomunal a esse público. Por conseguinte, a vítima sofre uma redução na sua autorização estima, e na tentativa de adequação ao ideal, o que resulta, muitas vezes, em transtornos alimentares que causam uma grave distorção da sua imagem.
Além disso, deve-se ressaltar que, de acordo com as ideias do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo da visão de uma pessoa limitam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso em sua própria vivência , não reconhece outras perspectivas, e perpetua a exclusão e a coação de uma beleza “inatingível”. Em vista disso, até que se reconheça a variedade de concepções de beleza no cenário brasileiro, a estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como seu viés individualista haverá uma contínua diminuição das oportunidades sociais desse grupo minorizado.
Torna-se, pois, evidente que as consequências da busca por um padrão de beleza idealizado devem ser evitadas. Para isso, cabe ao Ministério de Educação, aliado as escolas, adicionar à grade curricular aulas sobre Ética e Cidadania, junto com palestras com dados estatísticos e depoimentos de pessoas especializadas sobre o tema, que objetive fazer com que o aluno entenda sobre as diferenças de beleza na sociedade, e tenha uma visão não preconceituosa às variedades de características físicas divergentes do padrão. Além disso, a sociedade deve procurar defender àqueles que não atendem à beleza imposta, além de repudiar as formas de preconceito e marginalização, como em conversas sociais ou em redes sociais. A partir dessas ações, espera-se promover uma diminuição da exigência dessa idealização.