O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/10/2018
Opção atrelada à informação
O conceito de Indústria Cultural - aproveitamento de hábitos e costumes de um grupo para transformá-los em produto - criado pelos filósofos Adorno e Horkheimer, permitiu que a ideia de um corpo ideal fosse difundida, dando origem à padronização corporal. Assim sendo, a exaltação de características físicas de brancos europeus com corpos magros e modelados está cada vez mais presente no cotidiano brasileiro devido ao avanço tecnológico e à tendência à uniformização. Contudo, isso gera uma insatisfação em relação a outros fenótipos, podendo acarretar graves problemas.
Em primeiro plano, o desenvolvimento das tecnologias foi primordial para a propagação e estabelecimento de padrões. Na Era Digital, o contato virtual se tornou ainda mais comum que o físico, visto que as informações são transmitidas instantaneamente e podem percorrer longas distâncias. Entretanto, esses meios contribuem para a divulgação de uma falsa realidade, pois além de haver a opção de editar fotos e vídeos, o influenciador aproveita para recomendar hábitos saudáveis, mesmo sem ser um profissional da área. Logo, muitos indivíduos se veêm obrigados a “conquistar” um corpo como aquele, ignorando o fato de cada organismo agir de uma forma diferente, o que pode acarretar, devido a medidas drásticas, transtornos alimentares como anorexia, bulimia e vigorexia.
Além disso, o homem contemporâneo tende à uniformização, pois, para o mercado, é muito importante que as sociedades sejam parecidas. Isso se deve ao fato de a indústria produzir em grande quantidade, porém baixa variedade, o que restringe as opções, já que ela precisa ampliar o seu público. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein: “Só existe opção quando se tem informação”. Tomando o pensamento como base, o sistema capitalista oferece alternativas limitadas de seus produtos, mas são suficientes para criar uma falsa sensação de escolha. Logo, se um único padrão de beleza for difundido, as pessoas se sentirão obrigadas a seguí-lo, desvalorizando outras expressões corporais, além de valorizar algo supérfluo ao criar um culto ao corpo.
Torna-se evidente, portanto, que o mundo contemporâneo contribui para a formação de um padrão de corpo ideal no Brasil. Assim, o Ministério da Educação deve realizar processos de conscientização da população jovem por meio de aulas e palestras que retratem os prejuízos das tecnologias e a sua relação com a uniformização. Além de mostrar a importância da busca por profissionais da área de saúde e estética, visando a estimular a valorização do corpo de cada um, o que também pode diminuir a incidência de transtornos alimentares. Para que, desse modo, haja informações para se ter mais opções de escolha a respeito de qual “padrão” seguir, assim como disse Dimenstein.