O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/10/2018

O Parnasianismo, movimento literário do século XIX, foi marcado pela busca da perfeição e pela valorização estética nas temáticas das poesias. De maneira análoga, o ideal parnasiano, no que tange à questão corporal, infelizmente, tem se refletido na contemporaneidade, tornando o culto ao corpo perfeito algo bastante comum na vida dos brasileiros. Nesse contexto, deve-se analisar como a mídia e a escola influenciam a ditadura da beleza.

Em primeiro lugar, o desejo de possuir um corpo perfeito, muitas vezes, é fruto de um padrão de beleza criado pela mídia. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, fatos sociais consistem em modos de agir, pensar e sentir externo ao indivíduo, que são investidos com um poder coercivo capaz de exercer um controle sobre o mesmo. Nesse sentido, entende-se que as pessoas que se sentem insatisfeitas com a própria imagem, muitas vezes, foram influenciadas a aceitar como correto o padrão de beleza determinado pela consciência coletiva. Por consequência, muitos vão buscar se encaixar nesse ideal através de dietas, anabolizantes, academias, produtos que se dizem milagrosos e procedimentos estéticos, por exemplo.

Outro fator válido de se destacar é a negligência escolar. “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado.” Esta máxima de Thomas Hobbes retrata a sociedade brasileira contemporânea no que tange à preocupação excessiva com a aparência corporal. Tal problema acontece porque as escolas não discutem sobre a singularidade da beleza e sobre a aceitação pessoal, de modo que os indivíduos cresçam livres das amarras sociais. Em decorrência disso, as crianças crescem com o ideal de corpo perfeito e esta pressão social, não raro, pode desencadear sérios problemas como, por exemplo, anorexia, bulimia, depressão e, em casos mais graves, suicídio.

Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que a mídia televisa - enquanto influenciadora de comportamentos e opiniões - desconstrua a ideia da padronização da beleza, por meio de novelas, séries e desenhos, a fim de valorizar a pluralidade corporal. Paralelamente, cabe às escolas discutirem sobre a importância da diversidade estética e da aceitação pessoal, por intermédio de palestras e debates, visando fomentar na mente das crianças e dos adolescentes que ser diferente é algo positivo. Dessa maneira, será possível libertar os brasileiros da síndrome parnasiana.