O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/10/2018
Beleza Oculta
Magro. Cabelo liso e loiro. Alta estatura. Pele e olhos claros. Essas são apenas algumas das características impostas todos os dias a brasileiros e brasileiras pela mídia. Porém, sabe-se que a maior parte da população não se encaixa nesse tão estimado padrão de beleza, levando muitas delas a questionarem sua aparência e duvidarem da sua forma única e individual de ser belo. A beleza, em sua totalidade, diverge, e muito, da idealização imposta nos estereótipos criados pela indústria cultural, culminando em uma violência simbólica. Logo,urge a necessidade da desconstrução desta problemática.
Primeiramente, é importante destacar que a criação de tal padrão de beleza surge com a chamada indústria cultural, que massifica o “belo”, transformando-o em produto e lucrando com isso. Dessa forma, não há a identificação da população, que tenta se adequar e se encaixar em tais estereótipos simplesmente porque a mídia diz que é bonito. Ilustra essa realidade os padrões seguidos pela indústria cinematográfica, em que os “astros” dos filmes e novelas seguem uma mesma linha, dificilmente sendo estrelados por negros, asiáticos, pessoas acima do peso ou que apesentam alguma deficiência física. Assim, “excluindo” boa parte da sociedades dos cartazes de Hollywood.
Somado a isso, vale ressaltar que a imposição desses estereótipos na vida cotidiana implica diretamente na satisfação e na aceitação da autoimagem, culminando, muitas vezes, em sérios problemas de saúde e insegurança como a constante realização de cirurgias plásticas e o desenvolvimento de distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia, podendo levar, até mesmo, ao suicídio. Segundo o pensador, Pierre Bourdieau, trata-se de uma Violência Simbólica cometida pela mídia, em que a formação idealizada da beleza afeta e traz consigo, direta e indiretamente, tais grandes consequências para a população. Sendo assim, esse fenômeno torna-se ainda mais intenso com o advento das redes sociais, principal meio de propagação e disseminação da definição exclusória de existência um único molde de beleza.
A problemática dos padrões de beleza idealizados deve ser, portanto, combatida e erradicada. Para que isso ocorra, deve haver a desconstrução de tais padrões, por parte da mídia e da indústria cultural, com o rompimento dos estereótipos, por meio da implementação de novas características ao “ideal de belo” já existente, valorizando as diferenças em prol do reconhecimento do belo em todos os seus jeitos e formas. Dessa maneira, haverá uma maior identificação da população e melhor aceitação da autoimagem. Só assim será possível viver em um país em que a beleza individual e única de cada ser humano ímpar seja devidamente exposta, valorizada e admirada em sua totalidade.