O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/10/2018

A busca pelo “corpo perfeito” não é algo restrito ao século XXI, já que na Grécia Antiga, tanto homens, quanto mulheres buscavam um corpo atlético e musculoso. À visto disso, o caminho para alcançar o padrão imposto pela sociedade encontra-se cada vez mais perigoso e irreversível para a vida do indivíduo. Destarte, é imprescindível analisar os fatores que estimulam essa problemática e seus desdobramentos no Brasil.

A priori, segundo o filósofo Theodor Adorno, em sua teoria “Indústria Cultural”, os meios midiáticos possuem um papel controlador ao utilizarem a alienação e a intimidação para persuadir a população. Sob tal ótica, nota-se o poder que esses meios exercem à sociedade quando definem propagandas e enredos engajados um padrão corporal definitivo, assim o telespectador é influenciado a seguir — a qualquer custo, o esteriótipo disseminado por esses canais. Contudo, durante a busca pela perfeição os indivíduos tornam-se alienados ao processo que se submetem, uma vez que a necessidade de ser incluído e aceito nesse modelo negligencia as consequências graves que podem acarretar em sua saúde.

Em detrimento dessa questão, é indubitável o desenvolvimento de doenças e psicopatologias que advém desse processo. Dessa maneira, quando o padrão é definido de forma coercitiva pela sociedade, torna-se um fato social exposto pelo sociólogo Émile Duckheim, sendo generalizado e exterior ao indivíduo. Nessa perspectiva, constata-se o papel excludente que essa cultura padronizada implica no indivíduo, haja vista que a população recorre à dietas radicais sem valor nutritivo, à inibidores de apetite e, por conseguinte, desenvolvem um quadro de bulimia e anorexia, como também casos de depressão e ansiedade. Assim, essa temática torna-se um problema de saúde pública, uma vez que indivíduos recorrem à métodos inadequados e prejudicam a sua saúde física e emocional.

Infere-se, pois, que o culto e a busca pelo padrão corporal seja repudiado no Brasil. Para isso, é imperativo que os meios televisivos utilizem de forma ética e responsável os seus enredos engajados e suas propagandas, a fim de transformar essa cultura e diversificar os padrões corporais, desso modo combatendo e transmitindo à sociedade o valor de cada esteriótipo. Ademais, o Ministério da Saúde deve desenvolver campanhas e programas com apoio de psicólogos e psiquiátricos, por meio de programas midiáticos,em que alertem à população a cerca dos riscos que essa busca à perfeição pode ocasionar na saúde, assim estimulando o cuidado e o bem-estar físico e psicológico do indivíduo. Com essas ações, poder-se-á  mitigar esse legado histórico.