O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/10/2018
“A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. A citação do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau define com exatidão os efeitos advindos do culto à padronização corporal no Brasil, que consiste em estabelecer um modelo corporal considerado “perfeito” e levar a sociedade a acreditar que ele seja necessário à sua felicidade. Todavia, tal comportamento causa insegurança, baixa autoestima e, em alguns casos, até mesmo transtornos alimentares, tornando imperiosa a tomada de medidas para resolução do impasse.
A Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, representou um papel importante para o desenvolvimento da cirurgia, uma vez que foi necessária para o amparo de feridos que voltavam das batalhas. De maneira análoga, a cirurgia plástica - juntamente com o padrão de beleza representado pela mídia como sendo única e exclusivamente um corpo esguio - compele o indivíduo a adquirir características corporais semelhantes às representadas, das quais 65% das mulheres não se identificam, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão. Por conseguinte, muitos adotam dietas demasiadamente rigorosas e que, muitas vezes, carecem dos nutrientes necessários à uma alimentação saudável.
Ademais, a obsessão por alcançar um “corpo perfeito” faz com que transtornos alimentares, como a anorexia, sejam bastante recorrentes: segundo a psicóloga Marina Vieira, o indivíduo “deixa de ir a casamentos, bares e restaurantes” e “perde o convívio social na tentativa de evitar se alimentar”. Não obstante o exorbitante número de malefícios que isso causa à saúde física e psíquica da vítima, o corpo social tende a banalizar esse tipo de comportamento e associar a magreza à saúde, impedindo-o de perceber e auxiliar quem sofre de tais transtornos.
Mediante o supracitado, o Ministério da Saúde deve implantar um tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) a quem sofre de transtornos alimentares, com uma equipe multidisciplinar composta por nutricionistas, psicólogos e educadores físicos que possam auxiliar a vítima, destinando mais verbas a essa área. Outrossim, a mídia deve promover a autoaceitação através de comerciais de TV e propagandas em revistas protagonizadas por modelos com diferentes tipos de corpo, dando maior enfoque à pluralidade de beleza existente. Por fim, cabe ao Ministério da Saúde, ainda, a instituição de palestras nas escolas ministradas por nutricionistas e direcionadas aos alunos, a fim de alertá-los a respeito da seriedade dos transtornos alimentares. Desse modo, o culto à padronização corporal diminuirá, e a citação de Jean-Jacques Rousseau, por fim, não será aplicável de forma absoluta à realidade brasileira.