O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/02/2019
A presença dos meios de comunicação propaga de modo feroz a “corpolatria”, ou seja, o culto de adoração ao corpo, propagando padrões de beleza. De maneira análoga ao que a Escola de Frankfurt afirmava sobre a indústria cultural, o corpo deixa de ser uma característica do indíviduo e passa a ser um produto. Assim, a falta de legislação específica e a ignorância de parte da população, permite a mercadorizaração do corpo (por meio de padrões de beleza, que quase sempre fogem à realidade), onde o narcisismo e a exclusão social prevalecem. Hodiernamente, a célebre frase de Exupéry - “O essencial é invisível aos olhos” - vem sendo deixada de lado. Não raro é a ocorrência de propagandas de pílulas milagrosas, que hipoteticamente, provocam a perda de peso e medidas sem exercícios e alimentação balanceada, onde muitas pessoas, para alcançar a adequação social (relacionada ao padrão de beleza “magro”), acabam sucumbindo às pílulas ditas. Tal tipo de propagandas configura um problema de saúde gravíssimo: o culto a forma, em detrimento a saúde e bem estar.
Além disso, praticamente não existe legislação sobre propagandas que envolvem produtos de beleza, que esteriotipam alguns tipos de corpos, induzindo ao consumismo, exclusão e até ao narcisismo (no caso dos grupos detentores da “beleza”). Isso, associado a um senso crítico pouco desenvolvido pela maioria da população, pode ter consequências mais catastróficas ainda, onde os números de casos de ansiedade, bulimia, anorexia e depressão aumentam consideravelmente.
Destarte, mudanças são necessárias. O Estado, por meio do Poder Legislativo, deve redigir leis sobre as propagandas de produtos relacionados a beleza, norteando as propagandas a não criar esteriótipos, mas sim a valorização da beleza individual das pessoas. Ademais, os Ministérios da Educação, Cidadania e Saúde devem criar programas que despertem o senso crítico das pessoas, e as façam enxergar a própria beleza, quebrando os padrões impostos.