O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/02/2019
As problemáticas que envolvem o culto a padronização corporal no Brasil são, até para os olhos menos atentos, uma das chagas mais dramáticas da atual sociedade. Com o advento da tecnologia e os inúmeros avanços na área da cirurgia plástica, a busca por um corpo perfeito, que atenda aos padrões impostos pela sociedade, aumentou consideravelmente, e a falta de acompanhamento profissional e limites durante esse processo tem transformado esse assunto em questão de saúde pública,seja pelo número crescente de procedimentos estéticos que dão errado, seja pela quantidade de adolescentes com distúrbios alimentares no país, cerca de 77% segundo a revista Veja. Nessa dinâmica, cabe a análise de duas direções: o corpo como meio de diferenciação e exclusão social e a família como ponto inicial do problema.
De modo a partir dessa realidade, a estética corporal como meio de diferenciar e excluir as pessoas socialmente corrobora de maneira significativa para a problemática. Ao observar os outdoors e as revistas fica bastante claro o padrão pré fabricado pela sociedade atualmente. Nesse sentido, publicidades agressivas e mal formuladas, como a da academia de São Paulo que dizia “Nesse verão, qual você vai ser ? Sereia ou Baleia ?”, por exemplo, se tornam meios controladores da massa e acabam por pressionar mulheres e homens a seguirem determinado modelo. Logo, essa situação pode ser considerada um fato social, já que qualquer pressão ou constrangimento exercido sobre alguém que possua existência própria é assim considerado, assim como afirmou Durkheim.
No mesmo viés, a família pode ser considerada o início para a problemática. Visível principalmente nas mulheres, população mais afetada pelo problema, cerca de 80%, assim como afirmou a pesquisa feita pelo G1, a exigência de adequar-se a um padrão pré estabelecido pelos pais e pela sociedade começa cedo, e, por vezes, a mulher carrega essa necessidade de aprovação para a vida adulta. Logo, ao lerem revistas que instigam a procura por dietas insanas ou por procedimentos estéticos como os únicos modos de chegar ao corpo perfeito, estas fazem o impossível em busca desse ideal e, muitas vezes, sem pensar nas consequências para a saúde.
Logo, cabe ao Ministério da Saúde promover palestras nas escolas e comunidades, com o apoio de profissionais devidamente qualificados e engajados com a causa, para que, por meio destas, possa orientar a população sobre os riscos existentes em dietas sem acompanhamento profissional ou em cirurgias plásticas com falsos médicos, com a finalidade de acabar com a problemática e de ajudar na saúde pública brasileira. Essa ação pode contribuir para encerrar com a ideia de que o corpo perfeito é aquele instituído pelos padrões de beleza, de modo a passar a ser aquele que é saudável.