O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/02/2019
O psiquiatra, Carl Jung, afirma em seus estudos que o homem nasce original e morre uma cópia. Tal pensamento sintetiza o cenário hodierno brasileiro, marcado, principalmente, por um culto a padronização corporal fruto de uma cultura de supervalorização aos padrões de beleza atrelado a uma manipulação de estereótipos por meio da mídia. Diante disso, analisar o atual contexto vivido pela sociedade é fundamental para atenuar essa mazela social.
Em primeiro lugar, é importante salientar a cultura de supervalorização aos padrões de beleza enraizada na sociedade. Sob essa ótica, consoante ao filósofo Friedrich Schiller, as pessoas julgam segundo a aparência, ninguém julga segundo a essência. Nessa lógica, observa-se que a aparência estética é, ainda, hoje, muito cultuada e outras características dos seres são deixadas à parte. Prova disso, são os estudos de psicólogos, os quais mostram que alunos mais bonitos, tendem a ser julgados por docentes, nas escolas, como os mais competentes e assim isso reflete em suas notas.
Ademais, cabe ressaltar, ainda, a manipulação de estereótipos propagados pela mídia. A par disso, segundo Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, na Alemanha, a chamada Indústria Cultural é responsável pela domesticação do estilo da população, por meio de manipulações midiáticas capaz de induzir o comportamento esperado. Assim, os indivíduos imersos nesse cenário manipulador, busca incessantemente por um corpo perfeito, termo que é difundido pela mídia que tenta produzir conteúdos a partir da criação de um gosto do público para direcioná-lo e torná-lo homogêneo.
Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais, deve, com urgência, adotar estratégias psicopedagógicas para que estudantes juntamente com a sociedade civil, não sejam manipulados pelos estereótipos ultrapassados disseminados pela mídia. Essa ação pode ser feita por meio de palestras e debates abetos ao público, com o objetivo de promover cidadãos mais críticos com relação aos padrões de beleza criados pela mídia. Paralelamente, na tentativa de erradicar a cultura de exacerbada valorização às características estéticas, compete aos meios de comunicação, principalmente a mídia, por intermédio de propagandas, propagar a valorização dos seres como essência, desconstruindo o culto aos padrões estéticos onipresente na vida social.