O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/02/2019

O escritor austríaco, Stefan Zweig, afirmou em seu livro que o Brasil era um país do futuro, ou seja, grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas. Contudo, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra o culto à padronização corporal no Brasil, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, seja pela herança histórica, seja pela omissão da escola, tal impasse persiste na atualidade.

Em primeira análise, é importante salientar que o culto à padronização corporal é fruto de raízes históricas. Sob essa ótica, na Grécia Antiga, em Esparta, no século VII a.C., a idealização ao corpo altamente atlético e musculoso era buscado tanto por homens, quanto por mulheres. Seguindo essa linha de raciocínio, apesar de datar séculos passados, tal cultuação à beleza reverbera hodiernamente, ainda mais intensa, devido aos padrões transmitidos pela mídia e, sobretudo, pelas redes sociais. Por consequência, pessoas que não se enquadram nesses modelos ultrapassados sofrem preconceito e são excluídos pelos adeptos de tais estereótipos.

Ademais, cabe ressaltar, ainda, a negligência escolar quanto à abordagem da temática. A par disso, o filósofo Zygmunt Bauman definiu o conceito de “Instituição Zumbi”, no qual ele afirma que algumas instituições perderam sua função social. Sob esse aspecto, é notório que as escolas se enquadram na definição de Bauman, na medida que tais instituições se ausentam sobre o debate das diversidades de beleza e da importância da aceitação pessoal, o que fomenta um comportamento de valorização a uma padronização corporal. Prova disso, é a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a qual mostra que a aparência física é o principal motivo de bullying dentro das escolas brasileiras.

Portanto, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos  e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente, por meio de propagandas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema, a fim de superar os ideais de beleza enraizados na sociedade e garantir a harmonia civil. Paralelamente, cabe às escolas, por intermédio de palestras e debates em salas de aula, desenvolver nos estudantes e, por conseguinte, na sociedade, um sentimento de aceitação pessoal e mostrar a diversidade de belezas, com vistas a erradicar esse cenário marcado fortemente por um culto aos padrões estéticos.