O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/02/2019

Na Grécia Antiga, a valorização ao corpo altamente atlético e musculoso era buscado tanto por homens, quanto por mulheres. De maneira análoga, na contemporaneidade, devido ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação, o culto à padronização corporal tornou-se cada vez mais intenso, ocasionando diversos transtornos aos que fogem desses padrões. Nesse contexto, seja pela influência das mídias, seja pela omissão da escola, tal impasse persiste no Brasil.

Em primeiro lugar, presencia-se um forte poder de influência da mídia nesses padrões de beleza. A par disso, segundo o filósofo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, a chamada Indústria Cultural, movida pelos meios de comunicação, é responsável pela criação de estereótipos para população, por meio de manipulações midiáticas e tecnológicas. Sob essa ótica, os indivíduos imersos nesse conturbado cenário influenciador, buscam incessantemente em seguir os modelos de beleza difundido no veículos de comunicação. Em consequência, aqueles que não se enquadram nesses padrões sofrem preconceito e são excluídos, demonstrando a extrema necessidade de reformulações desse contexto.

Ademais cabe ressaltar, ainda, a negligência escolar quanto à abordagem da temática. Sob esse aspecto, consoante ao filósofo Zygmunt Bauman, algumas instituições perderam sua função social, haja visto que não estimulam os indivíduos a serem críticos e não trabalham com as problemáticas presentes na sociedade, caracterizando as “Instituições Zumbis”, termo definido pelo filósofo. Nessa lógica, é notório que as escolas se enquadram na definição de Bauman, na medida que tais entidades se ausentam sobre o debate das diversidades de beleza e da importância de aceitação pessoal, o que fomenta um comportamento de valorização a uma padronização corporal semelhante a da Grécia Antiga. Tal fato pode ser ratificado pela pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a qual mostra que dentro das escolas brasileiras há uma padronização estética, na qual os que não entram nela sofrem bullying.

Portanto, urge que a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, desenvolva projetos de propagação da heterogeneidade estética existente, por meio de propagandas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema, a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade. Paralelamente, cabe as escolas, por intermédio de palestras e debates em sala de aula desenvolver nos estudantes e, por conseguinte na população, um sentimento de aceitação pessoal e mostrar a diversidades de beleza, com vistas a desconstruir esse culto à padronização corporal análogo o da Grécia Antiga e tão prejudicial à nação brasileira.