O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/02/2019

Na Antiguidade Clássica, o corpo humano era sinônimo de fortaleza tanto na proteção contra às invasões dos povos bárbaros quanto à salvaguarda das suas famílias. No entanto, nos dias atuais, a estrutura física tornou-se uma indústria de beleza e de exploração midiática. Isso se deve não somente à falta de fiscalização pelo Estado sobre o abuso de poder de persuasão da mídia, como também à insuficiência de pensamento crítico dos cidadãos.

Em primeira análise, o poeta romano Juvenal afirma que: “mente sã, corpo são”. Seguindo essa linha de raciocínio, é possível afirmar que uma mente bombardeada todos os dias por comerciais de TV sobre como o seu corpo deve seguir os padrões impostos pela sociedade propicia um corpo social doente e mórbido. Essa conjuntura - consoante às ideias do contratualista John Locke - caracteriza-se uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos essenciais aos indivíduos, tais como saúde mental e privacidade de escolhas.

Não obstante, é válido ressaltar, de acordo com estudos da OMS (Organização Mundial da Saúde, 2016), que a busca pelo corpo perfeito está atrelada vigorosamente às taxas de suicídio de jovens; principalmente na América do Norte. Esses dados são espelhos da realidade do século XXI: ditadura da beleza. À vista disso, é perceptível que há uma forte interferência, por parte da mídia, aos adolescentes; uma vez que a educação brasileira não oferece alicerces de valores éticos que os livrem da escravidão de campanhas publicitárias. Dessa maneira, a etapa ‘mocidade’, que deveria se caracterizar como prazerosa e enriquecedora, acaba por se tornar a pior fase da vida de muitos adolescentes; ou infelizmente, a última.

Visto isso, faz-se essencial a reversão de tal cenário. Para isso, urge que o Governo Federal disponha de leis e suas devidas vigilâncias aos suportes de propagandas em combate à ditadura de beleza propagada por imagens e comerciais de TV, a fim de libertar a lucidez dos cidadãos e fazê-los se sentirem suficientes sem julgamentos corporais desumanos. Somado a isso, é crucial que o Ministério da Saúde - aliado ao Ministério da Educação - proponha palestras nas escolas sobre os riscos do idolatrismo ao corpo a alunos, junto aos pais e responsáveis, com o intuito de formar indivíduos com suas próprias visões de mundo e livres das imposições contemporâneas.