O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 11/03/2019

No mito grego, Narciso foi um herói, famoso por sua beleza e orgulho, atraía tanto mulheres quanto homens, mas foi condenado a nunca poder olhar para o próprio rosto. Uma vez, viu seu reflexo refletido em uma lagoa,  e lá, definhou até a morte admirando-se. Hodiernamente, encontra-se um paralelo na busca incessante da sociedade em alcançar um padrão de beleza. É urgente debater qual é o preço de uma busca imprudente pela beleza e seus impactos na sociedade, principalmente entre os mais jovens. Admitindo que o mito de Narciso é apenas mais uma das histórias que ressalta um problema crescente, advindo desde os primórdios da civilização humana, sendo esse a idealização por parte da grande mídia de um padrão de beleza fictício, que impõe - as vezes indiretamente - aquilo que é belo e o que não é.

O resultado se mostra cruel a partir do ponto que as pessoas, buscando alcançar o que lhes foi imposto como belo, desenvolvem transtornos alimentares e recorrem a procedimentos e medicamentos perigosos, arriscando a própria vida. Do mesmo modo, aqueles que são mais destoantes do padrão, tornam-se também vítimas desse sistema. Tendo sua auto estima e confiança abaladas, abrem espaço para transtornos alimentares como bulimia e anorexia, o uso de anabolizantes e outras drogas ergogênicas. São todos oriundos da busca, principalmente entre os mais jovens, por corpos quase que perfeitamente esculpidos, dos grandes ícones de beleza permeados pela mídia. De forma inconsciente, as pessoas abrem mão de sua individualidade, para se tornarem produtos.

Desta forma, é urgente que a legislação brasileira esteja preparada.. Através de uma fiscalização mais severa, buscando prender médicos e pessoas que promovam procedimentos ilegais e que vendam medicamentos proibidos visando diminuir o mercado negro dos procedimentos estéticos no Brasil. Impedindo que novas pessoas caíam na armadilha da ditadura da beleza, e, como Narciso, definhem em frente ao próprio reflexo, presos a uma beleza que lhes foi imposta.