O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 14/03/2019
Parnasianismo foi uma escola literária que surgiu em 1866, na França, como uma reação antirromântica. Uma de suas premissas foi a busca pela estrutura textual perfeita, já que nela se encontrava a real beleza. Atualmente, essa procura reflete, também, na aparência do indivíduo, a qual é utilizada para dar valor a ele. Tal situação resultou na adoração da aparência, prática cada vez mais comum na sociedade brasileira. Cria-se, em primeiro lugar, uma hegemonia de padrão estético, o qual torna as pessoas obcecadas por seus corpos. Tendo em vista que esse padrão é reproduzido - pela mídia - como único aceitável socialmente. Sob essa ótica, as redes sociais são responsáveis pela universalização e consolidação dele, visto que o torna objeto de desejo de todos. Como foi apontado pelo sociólogo francês Jean Baudrillard no conceito de hiper-realidade. Em virtude de ele enfatizar que o mundo das representações é mais atrativo que o mundo real. Diante disso, considera-se a rede social o mundo de representação e sua realidade a causa pelo culto à imagem. Ademais, o indivíduo fora do padrão é marginalizado e, dessa forma, ele é excluído e estigmatizado pela sociedade. Efetivamente, essas pessoas são alvos de preconceitos, como: a gordofobia, aversão à alguém acima do peso; o racismo contra pessoas de pele negra etc. Tal pensamento é perpetuado pelo mercado, o qual lucra com a falta de pertencimento desses indivíduos. Dentro desse contexto, convém destacar a indústria da atividade física que faturou, no Brasil, 2,1 bilhões de dólares, segundo a revista Exame. Logo indivíduos fora farão de tudo para se encaixarem nos moldes, afim de não serem excluídos. Portanto, urge que a obsessão do culto à aparência não seja mais priorizada. Para que isso ocorra, a mídia e o indivíduo devem valorizar a substância do ser e não a imagem. Nesse tocante, os meios de mídia devem aumentar sua diversidade para que todos sejam representados. Além disso, a pessoa deve fazer uma autoavaliação de si, com o intuito de priorizar seu conteúdo. Assim, reconhece-se na essência o valor do ser.