O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 12/03/2019
Na Antiguidade Clássica, os gregos cultuavam o corpo masculino definido como modelo de perfeição. Analogamente, na contemporaneidade a comunidade brasileira reconhece determinadas características corporais como ideais a serem seguidas, fomentando uma cultura de padronização estética dentre os indivíduos. Contudo, aqueles que não se aderem a essas características são menosprezados e segregados socialmente, evidenciando que a uniformização dos corpos é prejudicial à sociedade.
Em uma primeira análise, é válido destacar que a padronização corporal está atrelada à Industria Cultural - termo criado por Max Horkheimer e Theodor Adorno para referir-se ao modo de criar cultura segundo a lógica industrial capitalista - visto que os padrões seguidos são aqueles divulgados pela mídia. Dessa forma, as empresas criam necessidades de consumo supérfluas que fazem a sociedade cultuar padrões de beleza inatingíveis e consumam exponencialmente a fim de alcança-los.
Convém, ainda, lembrar que, devido à Industria Cultural, o culto ao corpo tornou-se, no Brasil, Fato Social, termo criado por Émile Durkheim para referir-se a algo que molde o comportamento dos indivíduos. Sendo assim, indivíduos “padrão” são vistos como superiores e aqueles que estão fora sofrem constantemente com ofensas e comentários depreciativos sobre seus corpos, como o caso da atriz Bruna Marquezine que foi atacada em suas redes sociais, após aparecer semi-nua no carnaval, por possuir seios diferentes daqueles venerados pela população.
Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação introduza na grade curricular brasileira um curso de sociologia que ensine sobre a diversidade e desconstrua a ideologia do corpo padronizado, por meio de debate sociológico com os alunos, para que, dessa maneira, a futura geração aprenda a aceitar seu corpo da maneira que ele se desenvolveu, reduzindo o preconceito e segregação estética, e torne-se mais ativista socialmente para lutar contra os padrões impostos pela grande mídia.