O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/03/2019

Para Guy Debord, as relações interpessoais são mediadas por imagens, o que torna a psique coletiva mais propensa a ser alienada. Nas atuais sociedades do espetáculo, em que a mídia está toda hora a reforçar a ditadura de beleza, é notório que tais mediadores tem transformado um aspecto cultural, que é a beleza, em uma patologia.

Não há como identificar, na História, o início da patogênese do culto nocivo à aparência, pois toda sociedade já existente expressou preferencias físicas. Verba gratia, as estatuetas de Vénus, obras paleolíticas do corpo feminino que acentuam os seios e as genitais, aspectos de formosura da época. Porém, é evidente que desde o século passado, através da propagação midiática de um único padrão estético, ser bonito tem se tornado, mais do que um aspecto antropológico, uma obrigação, ocupando a forma da ditadura da beleza.

Em suma, tal ditadura impõe padrões que definirão o que é belo para diversas sociedades, senão o ocidente como todo. Traços genéticos anglo saxônicos -olhos claros, cabelo liso, louros e nariz fino-, magreza, seios grandes ou abdômen definido são alguns exemplos. Eles tendem a ser inalcançáveis fisicamente, como o exemplo do genético, entretanto, a mídia, através das imagens, exerce uma grande pressão para que todos os sigam, vide todos protagonistas de qualquer conteúdo audiovisual possuírem tais características física, o que causa essa busca tomar ações radicais, como o uso de cirurgias, a tal ponto que a indústria cirúrgica, e a da moda, estão constantemente crescendo no mundo, e no Brasil, de acordo com o site Corpolatria.

É indubitável que tal ditadura tem que acabar, o que só será possível com a ação do Estado. É necessário que o mesmo use das imagens, através de campanhas televisivas e em escolas, para divulgar sobre a aceitação do próprio corpo, apontando que há diversos tipos que beleza e que nenhum deveria ser considerado melhor do que o outro, e sim apenas o que todos os corpos são: diferentes.