O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/03/2019
A era tecnológica, ocorrida a partir da Terceira Revolução Industrial pelos EUA no contexto de Guerra Fria, trouxe diversas modificações a sociedade em esfera global. Porém, tais mudanças refletem negativamente na conduta dos indivíduos, pois esses iniciaram uma busca avassaladora por um corpo perfeito. Nesse sentido, torna-se indubitável discutir os paradigmas impostos pela sociedade a despeito da idolatria à padronização corporal além de suas consequências para a população brasileira.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a exposição as redes sociais manipula diretamente o comportamento dos usuários, principalmente do público feminino. Tal ocorrência é observada pela influência de famosos, que ao exporem sua vida cotidiana, por meio de atividades físicas regulares e um corpo esculturalmente ideal, fazem com que outras pessoas queiram seguir os mesmos “padrões”. Concomitante a isso, o interesse desses indivíduos também está ligado proporcionalmente a necessidade de serem aceitas e/ou aprovadas por outros grupos na “web”, com obtenção do maior número de “likes”. Destarte, o pensamento alienado pode acarretar em danos a vida dessas pessoas com exemplo dos dados do Ministério da Saúde, apontando que mais de 80% das mulheres brasileiras preocupam-se com sua forma física, a qual muitas vezes, é obtida apenas por um questão social.
Ademais, a busca incessante por um corpo ideal e por aprovação, de acordo com o que rege a sociedade, gera consequências catastróficas. Diante do supracitado, percebe-se que indivíduos que não conseguem atingir o porte físico esperado, submetem-se a diversos procedimentos que acarretam em danos irreparáveis à saúde. Exemplo disso foi o ocorrido com a ex-BBB Maria Melito que, de acordo com o Jornal Folha de São Paulo, teve sérios problemas de saúde pelo uso excessivo de anabolizantes. Destarte, tal fato comprova que os paradigmas advindos do pensamento da sociedade brasileira contemporânea precisam ser revistos com o intuito de melhorar a qualidade da vida comum.
Torna-se evidente, portanto, que os conceitos da sociedade brasileira acerca do que deve ser um corpo ideal precisam ser quebrados para que não gerem mais danos à vida da população. Para isso o MEC deve inserir nas escolas programas de sensibilização, como rodas de conversa, minicursos e oficinas, com profissionais qualificados, para que trabalhem com os estudantes a despeito da autoaceitação, desmistificação do paradigma de corpo ideal ou padronizado e problemas decorrentes desse processo. Além disso, que o Ministério da Saúde invista no acompanhamento de pessoas que fazem o uso de medicamentos que alteram a estrutura corpórea, e com apoio da ANVISA, proíba a comercialização, em esfera federal, de qualquer produto que cause danos a saúde. Desse modo, a sociedade tornar-se-á mais consciente e menos alienada do pensamento do mundo contemporâneo.