O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/03/2019
No mito grego, Narciso foi um herói, famoso por sua beleza e orgulho, atraía tanto mulheres quanto homens, mas foi condenado a nunca poder olhar para o próprio rosto. Uma vez, viu seu reflexo refletido em uma lagoa, e lá, definhou até a morte admirando-se. Hodiernamente, encontra-se um paralelo na busca incessante em alcançar um padrão de beleza. É urgente debater qual o preço de uma busca imprudente pela beleza e seus impactos na sociedade.
Antes de mais nada, o mito de Narciso é apenas mais uma das histórias que ressalta um problema crescente, advindo desde os primórdios da civilização humana, que é a idealização por parte da grande mídia de um padrão de beleza fictício, que impõe - as vezes indiretamente - o que é bonito e o que não é. O resultado se mostra cruel quando as pessoas, buscando alcançar o que lhes foi imposto como belo, desenvolvem transtornos alimentares e psicológicos, e não só isso, que também indubitavelmente buscarão os caminhos mais fáceis e potencialmente perigosos para alcançarem o padrão.
De forma similar, aqueles que são mais destoantes do que foi idealizado, tornam-se também vítimas do sistema. Como resultado, terão sua auto estima e confiança abaladas, abrindo margem para procedimentos lesivos ao próprio corpo. Transtornos como bulimia, anorexia e o uso de anabolizantes são oriundos da busca - principalmente entre os mais jovens -, por corpos quase que perfeitamente esculpidos pela grande mídia. Assim, indo de encontro aos ideais de Carl Jung, que afirmava: “o homem nasce original e morrerá cópia”, todos estarão sujeitos a prejudicar a própria saúde a fim de esconderem a própria insegurança.
Em suma, é urgente que a legislação brasileira esteja disposta a proteger a vida dessas pessoas. A polícia, amparada pelo Ministério da Justiça, deve agir buscando prender médicos e traficantes que promovam a venda de medicamentos ilegais e procedimentos estéticos proibidos. Paralelamente, o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação, deve agir através de campanhas publicitárias, instruindo os mais jovens a valorizarem o próprio corpo e a sua individualidade, impedindo que novas pessoas caiam na armadilha da ditadura padronizada da beleza. Destarte, serão poupadas de terem um fim como o de Narciso, definhando em frente ao próprio reflexo.