O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/03/2019
A sociedade do espetáculo: frente ao conceito de beleza e a obsessão
“Toda a vida das sociedades em que dominam as condições modernas de produção aparece como uma imensa acumulação de espetáculos.” Essa frase de Guy Debord, pensador francês, revela a necessidade de tornar a sociedade em um verdadeiro espetáculo, vestindo de glória e positividade o que precisa ser aceito e consumido. Sob esse âmbito, o culto à padronização corporal é uma das características que permeiam esse cenário, o qual é extremamente prejudicial à sociedade brasileira.
Cabe ressaltar de início, que a beleza não é algo uniforme, mas sim plural, porém o forte apelo à estética é um entrave a diversidade.Durante o Renascimento italiano, o culto ao corpo era notório na arte como em esculturas e pinturas. Exemplo disso, é a reconhecida obra “Davi” de Michelangelo, a qual realçava o porte definido e atlético que os cidadãos precisavam obter para serem considerados belos. Tal fato é análogo a realidade atual brasileira, sobretudo marcada pela disseminação das redes sociais, em que muitas vezes expõem a “ditadura da beleza”,reforçando a ideia de que o ideal de felicidade só é atingido com o corpo perfeito, e portanto dietas e treinos são estimuladas em prol da estética. Dessa forma, os que acompanham tal espetáculo se esforçam ao máximo para atingir a perfeição, o que nem sem sempre ocorre, gerando sentimentos de exclusão e frustração, o que pode acarretar patologias como ansiedade e depressão.
É válido considerar, ainda, a influência da mídia nesse processo. George Orwell,escritor inglês, já dizia que: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa.” Diante dessa perspectiva, a mídia padroniza os gostos para que a indústria da beleza obtenha lucro, e assim, há o investimento em capas de revistas e anúncios, por exemplo, que exaltem os possuidores de determinadas características, visando a venda de cosméticos e outros produtos estéticos. Contudo, esse processo é negativo para a sociedade na medida que gera preocupação exagerada pelo sucesso, o que leva a uma autocobrança altíssima. Por conseguinte, há muitos casos de distúrbios alimentares e apelo a cirurgias perigosas, as quais podem custar a vida de muitos indivíduos.
Destarte, o culto à padronização corporal é maléfico para o Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde atuar através da mídia em programas televisivos e ficções engajadas que abordem o tema, além de propagandas que ressaltem os mais variados tipos de beleza. Ademais, junto com as escolas deve por meio de aulas, seminários e discussões promover o senso crítico dos cidadãos, debatendo sobre os perigos da obsessão pela corpolatria, e mostrando a perspectiva do que é realmente essencial. Assim, o problema será atenuado, contribuindo para o bem comum da sociedade.