O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/03/2019

De acordo com uma pesquisa, de 2016, da marca Dove, 7 em cada 10 mulheres e garotas, acreditam que mulheres consideradas bonitas pela maioria da sociedade possuem mais oportunidades. E cerca de 66% das brasileiras concordam que é fundamental cumprir com certas “normas” de beleza. Isso se dá, pois a maioria das mulheres e garotas são influenciadas pela mídia e pela “opinião” imposta da maioria dos brasileiros a atingirem certo padrão corporal, como sinônimo de sucesso e aceitação.

Nesse contexto, além das mulheres sofrerem com a imposição de um padrão corporal muito mais que os homens, sabe-se que as mídias (TV, Internet, redes sociais) são formadoras de opinião. Com isso, o culto ao padrão corporal, geralmente caracterizado por: corpo magro, pele clara e cabelos loiros, é constantemente exibido nessas mídias por marcas de cosméticos, de roupas e indústrias de modelos, reforçando a ideia que a “receita ideal para o sucesso” é o padrão de beleza exposto por eles. Dessa forma, aquelas mulheres que não se “encaixam” são rejeitadas e sofrem bastante com o fato de não se sentirem bonitas, podendo até desenvolverem transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia.

Somando-se a isso, a maioria dos brasileiros estimulam o culto ao padrão corporal (corpo magro, pele clara e cabelos loiros), por meio da supervalorização de atrizes, cantoras e modelos que se enquadram nesse parâmetro e desvalorizam aquelas que estão fora. Como aconteceu recentemente, com a cantora Preta Gil, ao postar uma foto de biquíni em sua conta no Instagram, mostrando o próprio corpo (considerado fora dos padrões) e recebeu vários comentários negativos como, “você deveria emagrecer” e “não tem vergonha dessas estrias não?”. Dessa forma, percebe-se como as mulheres sofrem com essas imposições e são o tempo todo incentivadas à busca do corpo “ideal”.

Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Justiça e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, estabeleçam uma lei que obrigue principalmente as empresas de cosméticos, de roupas e as indústrias da moda, a sempre fazerem propagandas com pessoas de diferentes aspectos físicos ( pessoas negras, gordas, pardas e deficientes), para estimular o respeito e a inclusão de todos os tipos de características físicas e combater também o culto ao padrão de beleza corporal. E assim como afirma o filósofo Immanuel Kant, " É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade", deve-se usar a educação como veículo de transformação social e portanto, o Ministério da Educação, deve tornar obrigatório palestras semanais em todas as escolas ,sobre o respeito às diferenças, combate ao racismo e valorização dos diversos tipos corporais. Assim, por meio dessas as crianças e jovens serão conscientizados sobre a importância de não incentivaram, principalmente as mulheres a se adequarem a padrões cruéis e utópicos de beleza corporal.