O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/03/2019

A cantora Estadunidense Beyonce, em 2014, lançou uma canção que alcançou uma repercussão mundial: “Pretty hurts”, a beleza machuca, em Português. Tal música reflete sobre os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos impactos advindos da entrega a modelo esquálido e desprovido de saúde. Nessa perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências da supervalorização da aparência na contemporaneidade.

Em primeira análise, historicamente, ao longo do desenvolvimento da moda e estética, o culto à magreza nem sempre representou o belo. Na década de 50, atrizes como Marilyn Monroe tornaram-se referências por suas curvas acentuadas. Hoje, diante da propagação midiática de um ideal de perfeição por produtos de emagrecimento e cirurgias cosméticas, o que gera não só uma doutrinação imagética, mas ainda um verdadeiro massacre dos que que encaram as mudanças estéticas como única maneira de atingir a felicidade. Sendo resultado disso, uma paulatina deterioração física, mental e, em alguns casos, até mesmo, a morte. A exemplo das inúmeras vítimas decorrentes de aplicações cosméticas falhas do médico Denis Furtado, o famoso doutor Bumbum.

Ademais, é notório que tal padronização não respeita os diversos biótipos humanos, tampouco valoriza o corpo multidimensional e esteticamente plural por si só. No Brasil, inúmeros são os influenciadores digitais que veiculam dietas e treinamentos físicos intensos não condizentes com a rotina e aptidão física da maioria dos internautas, os quais, muitas vezes, tentam segui-las sem acompanhamento médico. As consequências, por conseguinte, podem ser frustrantes, além de perpetuarem a disseminação de estereótipos e preconceitos étnicos. De modo que, eleger uma única forma como digna de apreciação é uma afronta aos valores éticos e humanos.

Diante disso, fica claro, portanto que, os padrões estéticos devem estar alinhados à homeostase biológica e saúde. Dessa maneira, é fundamental que o Estado controle, por meio de leis e fiscalização, o uso e comercialização de substâncias e fármacos agressores à saúde em academias de musculação, para que casos de dosagens comprometedoras à integridade física da população sejam evitados. Com isso, cabe à escola, em parceria com profissionais da saúde, como médicos e nutricionistas, levantar questionamentos e debates que desconstruam padrões e apresentem a coexistência de diversos modelos físicos de beleza, a fim de aumentar a representatividade de alunos e ouvintes. Por fim, os influenciadores digitais podem reforçar em seu discurso, por meio das redes sociais, a necessidade de as atividades instruídas serem acompanhadas por um profissional. Quem sabe assim, a sociedade compreenderá que a singularidade da beleza está juntamente em seu aspecto plural.