O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/03/2019

Ditadura da beleza

Desde os processos denominados “Revoluções Industriais” e a ascensão de capitalismo, prioriza-se demasiadamente produtos e mercados em detrimento de valores humanos essenciais. Dessa forma, a mídia brasileira estimula a vaidade e o consumo de produtos de beleza ao ditar padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis de forma natural.

Em primeiro lugar, desde Antiguidade Clássica, o culto a beleza esteve presente na humanidade. Os gregos acreditavam que o físico é tão importante quanto o intelecto do indivíduo. Entretanto, a partir do século XX, o corpo passou a ser um objeto de consumo do capitalismo de modo neofilista. Assim, o indivíduo nunca atingirá o padrão ideal, pois este é algo comercializado e está em constante mudança. Consequentemente, há uma tendencia ao desenvolvimento de transtornos psicológicos de distorção da autoimagem, anorexia e bulimia.

Em segundo lugar, a hodiernidade estabelece uma ditadura da beleza, a qual promove de forma consciente a insatisfação. Logo, como o escritor brasileiro Augusto Cury indaga, uma pessoa feliz consigo mesma, não é consumista e compra produtos de maneira inteligente. Todavia, indivíduos inseguros com sua aparência projetam esse descontentamento no ter. Consomem cada vez mais, porém sentem cada vez menos.

Em suma, a atualidade é caracterizada por uma sociedade de aparências, a qual pretende encaixar todos os indivíduos em um único molde. É necessário, portanto, que a população pare de seguir modelos impostos e crie sua própria imagem embasada no autocuidado e bem estar. Dessa forma, os meios midiáticos devem aderir a suas propagandas pessoas consideradas fora do padrão, para que haja maior representatividade e diversidade. Além disso, estes devem promover campanhas de auto aceitação, como as promovidas pela ONG “Mais Diferenças”.