O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/04/2019

Modelo destrutivo

Em seu livro “O mito da beleza”, a jornalista Naomi Wolf descreve a imposição de um padrão de aparência usado como meio de controle social. O registro traz uma reflexão baseada em um modelo imposto a ser seguido que atinge, sobretudo, as mulheres. Logo, na busca desenfreada pela semelhança ao que se é cobrado, medidas prejudiciais à saúde são executadas, causando uma série de problemas como distúrbios mentais e alimentares.

Com o advento da tecnologia e das mídias sociais, diariamente somos bombardeados por incontáveis informações de todos os estilos. Dentre elas, imagens relacionadas à aparência física são constantes, e, representam um arquétipo muito semelhante em todos os veículos de comunicação. Tal semelhança contribui para a ideia de um ideal de beleza melhor aceito socialmente e, com isso, aqueles que não se veem dentro deste buscam por maneiras de enquadrar-se.

Sendo assim, o Brasil está em segundo lugar no que diz respeito à realização de cirurgias plásticas, o que revela a importância do tema a nível social, uma vez em que a principal motivação para tais procedimentos deixou de ser por questões funcionais e passou para a questão estética e tentativa de aproximação com aquilo que é visto em revistas, novelas e redes sociais.

Dessa forma, a beleza passou a ser hipervalorizada a ponto de trazer uma falsa sensação de valor social e felicidade. Além de procedimentos estéticos cirúrgicos, transtornos alimentares são cada vez mais comuns na população, dentre os mais recorrentes estão anorexia e bulimia, que, por conseguinte, podem levar a depressão, ansiedade e outras patologias psicológicas.

Em suma, a busca por um modelo estereotipado e inalcançável exclui a valorização da pluralidade de rostos e formas presentes entre a população brasileira, além de causar problemas que ameaçam a vida. Logo, para mitigar os processos destrutivos possíveis é vital que sejam criadas campanhas de saúde como rede de apoio aos que sofrem com distúrbios alimentares, promovidas pelo Ministério da Saúde aliado aos veículos de comunicação. Ademais, incentivar debates em salas de aula desde a primeira infância é importante para que crianças compreendam o respeito às diferenças, além de contribuírem para a formação de uma futura sociedade mais esclarecida e ciente do que está por trás das informações que estão a distância de um click.