O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/04/2019
Em 2014 a cantora Beyoncé lançou a música “Pretty Hurts”, em português, “Beleza Machuca”, na qual faz uma crítica a perseguição do corpo perfeito, que vem causando diversos transtornos com consequências físicas e mentais. Diante disso, percebe-se o quão danosa é essa perseguição e faz-se necessário abordar com mais profundidade as origens e os efeitos desse hábito.
Historicamente, a Grécia e Roma antigas cultuaram padrões de beleza semelhantes aos hodiernos. Sabe-se que por meio do Renascimento Cultural esses modelos foram reafirmados, e na era “fitness”, ou seja, “estar em forma”, eles assumiram grande poder coercitivo, pressionando os indivíduos a seguí-los, principalmente as mulheres brasileiras, que quantitativamente, sofrem pressão acima da média mundial, segundo uma pesquisa promovida pela Dove em 2017, e assim causando danos à saúde.
De certo, a priorização de um corpo em forma em detrimento da saúde da origem a transtornos psicológicos e fisiológicos. A bulimia e anorexia são exemplos desses, onde desenvolve-se por parte do indivíduo uma obsessão pela perda de peso, e assim, trazendo consequências danosas ao próprio corpo, culminando em morte na pior das situações. Ademais, o sentimento de não pertencimento à sociedade é um grande percursor de problemas psicológicos como ansiedade e depressão.
Sabe-se, então, dos prejuízos causados à saúde psicológica e física devido a tentativa de pertencer a uma sociedade que cultua o “belo”, fazendo-se necessária a desconstrução dos padrões de beleza atuais por meio o financiamento de campanhas publicitárias, por parte do Ministério da Saúde e do Governo Federal, visando empoderar outras formas físicas, além da realização anual de eventos contando com a participação de nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e educadores físicos com a finalidade de desnudar os malefícios causados pelo exagero da busca pelo corpo perfeito, e assim, mitigando-os a médio prazo. Dessa forma, críticas como as da cantora Beyoncé passarão a ser menos necessárias.