O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/05/2019
A padronização estética é um fator histórico-cultural que acompanha a humanidade ao longo do tempo, como exemplo, na Grécia Antiga, em que um corpo humano considerado belo era aquele apresentava harmonia e proporção. Na atual conjuntura brasileira, a pressão para atingir o padrão se mantém, apresentando-se como um impasse de caráter inercial e prejudicial à população.
Primeiramente, é mister analisar como a padronização corporal se perpetua na sociedade. De acordo com o físico Isaac Newton, na teoria da inércia, um corpo permanece em repouso até que uma força atue sobre ele. Nesse viés, com a massiva reprodução de um ideal estético na mídia e redes sociais, a sociedade tende a incorporar tais valores e moldar seu pensamento, considerando apenas um modelo de beleza correto, fazendo com que assim a padronização siga ocorrendo. Aliado a tal fator, a ausência de discussões e abordagens sobre a pluralidade do conceito de beleza nas escolas e no meio social corrobora a manutenção desse quadro, propiciando prejuízos para as pessoas fora do padrão, além de dificultar a aceitação do seu tipo corporal.
Outrossim, procedimentos cirúrgicos e transtornos alimentares tornam-se comuns em uma sociedade onde a pressão estética se faz presente no dia a dia. Segundo a pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em 2014, 77% de adolescentes apresentavam predisposição a desenvolver distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia. Tais dados mostram como é perigoso o culto de um padrão corporal restritivo, onde o individuo abre mão de sua saúde para consegui alcançá-lo.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário medidas para combater a problemática. Sendo assim, visando desconstruir os padrões enraizados na esfera social, urge as instituições de ensino por meio de palestras e debates ministrados por professores e OGN’s, refletir sobre os impactos do culto à padronização corporal, buscando despertar o senso critico dos alunos sobre a questão. Ademais, cabe ao setor midiático juntamente as indústrias de beleza, a veiculação de campanhas publicitárias mostrando a diversidade estética, a fim de promover uma visão mais inclusiva da beleza, estimulando a aceitação pessoal e social. Desse modo, criando um cenário saudável para a coexistência de corpos e belezas brasileiras.