O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 25/10/2020

A cantora norte-americana Beyoncé, em 2014, lançou uma canção que alcançou repercussão mundial: “Pretty Hurts”, a beleza machuca, em português. Essa música reflete os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos casos de bulimia entre os jovens que cultuam o corpo em detrimento da própria saúde.  Nessa perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências das supervalorização da aparência na contemporaneidade.

De início, é preciso entender que os padrões de beleza foram moldados pela história. Na década de 50, por exemplo, a atriz Marilyn Monroe tornou-se referência: seios fartos e curvas voluptuosas caracterizaram sua beleza corporal e, ainda hoje, alguns meios de comunicação insistem em unificar essa tendência. Nesse contexto, parte do público feminino enxerga nas cirurgias plásticas e na musculação uma forma de ascensão, porém, o perigo se alastra quando os indivíduos encaram as mudanças estéticas como a única maneira de atingir a felicidade.

Outrossim, os chamados influenciadores digitais interferem no comportamento da sociedade. São inúmeros os perfis fitness que predominam nas redes sociais e expõem, tratamentos estéticos e de uma alimentação saudável. Muitas dessas referências são positivas, pois incitam o bem-estar e a autoestima, entretanto, há postagens que estimulam dietas e treinos intensos, os quais não condizem com a rotina e a condição física da maioria dos internautas, que muitas vezes tentam segui-las sem um acompanhamento médico. Os resultados, por conseguinte, podem ser frustrantes e percebe-se que as pessoas são atraídas pelos conteúdos postados nas redes sociais.

Portanto, é imprescindível alternativas para solucionar esse impasse. O poder midiático deve, por meio de campanhas, desconstruir os padrões e apresentar a coexistência dos diversos modelos físicos de beleza, a fim de trazer representatividade à população. Para dialogar com os jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática. Ademais, os influentes digitais podem reforçar, em seu discurso, a necessidade de as atividades instruídas serem acompanhadas por um profissional, tal como o indivíduo ter discernimento na hora de exercê-las. No sistema capitalista vigente, as influências externas não deixarão de existir, mas é possível contê-las a partir do desenvolvimento do senso crítico da sociedade.