O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/05/2019
A canção “All about that bass”, da cantora norte-americana Meghan Trainor, faz uma irreverente celebração à diversidade corporal, criticando, dentre outras coisas, o fato das revistas de moda editarem as imagens de suas modelos. Tal música reflete sobre culto à aparência na sociedade atual, em que, a imposição desses padrões de beleza, sejam pela mídia ou pela pressão social, podem resultar em consequências negativas, como o surgimento de distúrbios alimentares.
Convém analisar primeiramente a influência dos meios de comunicação na criação e propagação dos padrões estéticos. Dado a pluralidade da espécie humana, seria sensato pensar que a representatividade dos diversos tipos de corpos fosse uma realidade na mídia brasileira. Entretanto, não é o que acontece, prova disso é a presença garantida de corpos esbeltos e torneados em novelas, filmes, ou nas supracitadas capas de revistas, difundindo a ideia da aparência perfeita e ignorando aquelas que são diferentes. Diante disso, cria-se uma pressão social para que as pessoas sigam essas tendências, nas quais, ao não serem alcançadas resultam no desenvolvimento de problemas psicológicos.
Dentre esses efeitos, os que parecem se destacar são a anorexia e a bulimia. Esses transtornos nutricionais são caracterizados, respectivamente, pela restrição persistente na ingestão de alimentos e compulsão alimentar seguido por comportamentos compensatórios como a provocação de vômito. Essa relação entre o culto a padronização da beleza e o aumento da ocorrência desses comportamentos nocivos à saúde, pode ser comprovada através de pesquisas, como a realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em 2014, na qual revelou-se que cerca de 77% das jovens de São Paulo apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, em que, 85% das entrevistadas acreditam que existe um padrão de beleza imposto pela sociedade.
Fica claro, portanto, a necessidade do desenvolvimento de medidas que diminuam o impacto da influência do culto à aparência sobre as pessoas em nosso país. Os veículos de mídia atuantes no Brasil devem desconstruir esses padrões estéticos que foram moldados nos últimos anos, contratando atores e modelos que retratem a diversidade dos diferentes tipos de aparência existentes em nosso país, afim de aumentar a representatividade à população.