O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/05/2019

Regina George, personagem de um filme adolescente com grande sucesso chamado Meninas Malvadas, retrata o quanto o padrão físico é difícil de ser alcançado. Isso fica claro quando, em inúmeras cenas, ela olha, antes de comer, quantas calorias tem cada alimento. Realidades como a dela são notórias, o que faz com que as garotas se identifiquem e, talvez, por isso, o longa-metragem é tão popular. Pode ser alegado, contudo, que essa não passa de uma preocupação com a saúde. Entretanto, há uma diferença entre isso e a fissuração com o corpo perfeito. Portanto, ao serem confundidos podem causar sérios danos físicos e, principalmente, mentais às pessoas.

Primeiramente, a compulsão pela beleza física têm sido cada vez mais comum em todas as faixas etárias e classes sociais. Disfarçado por meio de produtos saudáveis cada vez mais caros e o maior número de academias nas cidades, a indústria da beleza cresce consideravelmente. O Brasil, como toda a população mundial, é uma Sociedade do Consumo como dito por Baudrillard, pois o lucro é mais importante que o bem estar social. Isso fica claro quando celebridades como Kendall Jenner e suas irmãs tem ganhado cada vez mais relevância pelo simples motivo de estarem dentro dos padrões impostos pela sociedade. Por conseguinte, como relatado em vários episódio do “Reality Show” da família, junto à fama, vem também a autocobrança de estar sempre dentro do molde, a insegurança e a ansiedade. Pois, como dito pela cantora Beyoncé em uma de suas músicas, “a beleza machuca”, não só fisicamente como psicologicamente. Desse modo, meninas do mundo inteiro acompanham essas figuras públicas e são influenciadas por esse apego à imagem, tendo as mesmas consequências.

Ademais, a parafrasear Zíbia Gaspareto, assim como os excessos fazem mal, a falta também faz. Incontáveis dietas extremamente restritivas vêm surgindo a cada dia. E, como os usuários têm acreditado em tudo o que é mostrado na internet, o fato de alguém dizer que comer uma vez por dia faz bem à saúde, já o convence a colocar isso em prática na sua rotina. Não obstante, é recomendado, pelos médicos, que se alimente de  três em três horas, o que, muita das vezes, não é levado em consideração. Assim, pessoas que já sofrem de doenças como a anorexia e a bulimia ganham justificativas para continuar suas ações contra elas mesmas, sem perceber.

Dessarte, o Ministério da Saúde junto aos influenciadores digitais, devem alertar o público, por meio de postagens chamativas, vídeos e relatos, que o cuidado exorbitante com a estrutura física pode trazer riscos à saúde. Para isso, projetos como de ensaios fotográficos mostrando, sem “photoshop”, o corpo de famosos, para manifestar que ninguém é tão perfeito como é exibido nas redes sociais são necessários. Dessa forma, práticas como as da Regina George serão evitadas.