O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/05/2019

Narciso, personagem mitológico grego, morrera devido à sua obsessão corporal . De fato, esse mito não se encontra tão distante da realidade hodierna, uma vez que o culto a aparência fomenta diversos problemas na saúde, com a anorexia e bulimia. Frente a isso, a cultura e as redes sociais surgem como uns dos impulsionadores da problemática, que dita sequelas físicas e psíquicas a serem mitigadas.

É válido analisar, antes de tudo, que a gênese da cultuação a aparência possui rastilho histórico. Prova disso era que já na Grécia-uma das primeiras grandes nações conhecidas, o homem era esculpido em proporções perfeitas e com um físico atlético, já que seguiam a premissa platônica de “corpo são, mente sã”. Nesse viés, pode-se dizer que esse cenário segue a Ação Social Tradicional de Max Weber, em que a exacerbada valorização corporal foi solidificando-se ao longo dos anos e, assim, esse valor impregnou-se na cultura mundial de tal forma que reproduzem-na sem a consciência de que a faz.

Deve-se salientar, ainda, o papel das redes sociais na problemática. Sob esse aspecto, a vida na internet segue o princípio de Guy Deboard em “A sociedade do Espetáculo”, em que a sociedade moderna é pautada pela aparência e que as relações sociais são influenciadas pela imagem. Seguindo essa linha de raciocínio, a obsessão por mostrar, no instagram e facebook, um corpo ideal causa, nos internautas, a necessidade de se adequar aos padrões de beleza e, para isso, recorrem a dietas perigosas que podem levar à transtornos alimentares ou de imagem- como bulimia e anorexia respectivamente.

Infere-se, portanto, que o culto a aparência possui caráter histórico e também é influenciado pelos meios de comunicação. Logo, faz-se necessário a intervenção do Ministério da Educação, que terá o papel de fragmentar os ideários de perfeição gregos e, para isso, deve oferecer, as escolas, palestras e debates que falem sobre a vida saudável e os malefícios que dietas radicais trazem ao organismo, no intuito de instruir os alunos e torna-los mais saudáveis e menos superficiais. Ademais, cabe a mídia influente- como o Fantástico, mostrar que as fotos em redes sociais são manipuladas e, para isso, pode realizar documentários sobre a autoaceitação e mostrar a realidade por trás dos holofotes. Desta forma, a sociedade brasileira se tornará menos superficial e a de Narciso passará a ser apenas uma história mitológica que tange a realidade.